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sexta-feira , 6 março 2026
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Do tabaco à qualidade de vida: produtores do Sul abandonam cultivo tradicional em busca de alternativas

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Apesar da alta renda gerada pela produção de tabaco em pequenas áreas no sul do Brasil, alguns produtores estão optando por abandonar essa cultura em favor de opções que priorizam a saúde e o bem-estar familiar.

É o caso de Tatiana Fernanda Schott, de Paraíso do Sul (RS), que cresceu trabalhando na lavoura de tabaco ao lado da mãe e assumiu uma área de 1,5 hectare após a aposentadoria dela. Há três anos, Tatiana decidiu mudar de rumo, influenciada por uma vizinha com abordagem agroecológica e pela sua segunda gravidez.

Ela e o marido pararam de plantar tabaco e passaram a se dedicar a uma horta orgânica de 0,5 hectare já certificada, com o restante em processo de certificação. “Foi uma escolha saudável. Agora, posso levar meus filhos para a lavoura sem medo”, relata Tatiana, destacando que seu filho até come alface diretamente na roça.

A produtora critica o modelo da indústria do tabaco, onde as empresas controlam os preços e os insumos, obrigando os agricultores a vender para quitar dívidas. Com a horta, ela define os próprios preços e vende em feiras, mantendo a renda familiar sem perda financeira, mas com ganho significativo em qualidade de vida. Além disso, cultivam milho para ração animal e criam bichos para consumo próprio.

Tatiana observa que a falta de incentivos financeiros para outras culturas desestimula os produtores, que se acomodam com o tabaco por ser uma opção pronta. Na sua cidade, apenas ela e a vizinha abandonaram a cultura, e sua mãe não aprovou a decisão.

Outra história semelhante é a de Rosa Harthmann, de Cristal (RS), que deixou o tabaco após 35 anos, incentivada por uma filha que optou por permanecer no campo, mas buscou alternativas. Inspirada por produtores da Serra Gaúcha que cultivam uva e morango, Rosa escolheu o morango por demandar menos mão de obra e render até 50% mais que o tabaco em áreas pequenas.

Ela produz a fruta sem agrotóxicos, com colheita o ano todo, e criou uma agroindústria para geleias e doces, vendidos na propriedade, feiras e exposições. Rosa destaca a falta de qualidade de vida no tabaco, especialmente para mulheres, com exposição a intempéries e negociações humilhantes com a indústria.

Ambas as experiências apontam para uma transição possível, mas desafiadora, que poderia ser facilitada por políticas de incentivo a cultivos alternativos, reduzindo a dependência do tabaco no interior gaúcho.

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