O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 24 abril 2026
Início Clima Mudanças climáticas podem extinguir cultivo de alface no Brasil até 2100, alerta estudo
Clima

Mudanças climáticas podem extinguir cultivo de alface no Brasil até 2100, alerta estudo

103

O avanço das mudanças climáticas representa uma ameaça significativa ao cultivo de alface no Brasil, conforme projeções elaboradas pela Embrapa Hortaliças. Baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e em modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o estudo indica que, até o final do século, praticamente todo o território nacional enfrentará riscos altos ou muito altos para a produção dessa hortaliça.

De acordo com os pesquisadores, compreender esses impactos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de adaptação em um país tropical como o Brasil. Isso permite antecipar prejuízos e mitigar efeitos econômicos e agrícolas, especialmente em um setor sensível como o de hortaliças.

Carlos Eduardo Pacheco, engenheiro-ambiental e pesquisador em Mudanças Climáticas Globais da Embrapa, enfatiza a importância dessa análise. “Compreender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface, em um país tropical como o Brasil, é essencial para desenhar estratégias de adaptação. Isso permite antecipar impactos e evitar prejuízos”, afirma ele em nota oficial.

No cenário otimista, que considera um controle parcial das emissões de gases de efeito estufa e um aumento da temperatura global entre 2°C e 3°C até 2100, a pesquisa aponta que quase todas as regiões do Brasil apresentarão risco climático alto para o cultivo de alface durante o verão. Nesse contexto, restariam apenas pequenas ilhas produtivas esparsas pelo país, limitando severamente a viabilidade da produção em larga escala.

Já no cenário pessimista, sem controles significativos de emissões, todo o território brasileiro passaria a exibir risco climático muito alto para o cultivo de alface, com a faixa litorânea do país registrando risco alto. Esses mapas destacam a vulnerabilidade das hortaliças em comparação a culturas maiores, como milho ou soja, que são mais resistentes a variações climáticas.

Pacheco ressalta a urgência de sistemas produtivos adaptados ao clima. “Os mapas evidenciam a urgência de pensarmos em sistemas produtivos adaptados ao clima, especialmente para hortaliças, que são mais sensíveis do que as grandes culturas como milho ou soja”, destaca o pesquisador.

Diante desses resultados, a Embrapa planeja expandir o mapeamento para outras espécies de hortaliças, incluindo tomate, batata e cenoura. O uso de inteligência artificial será incorporado para ganhar escala e agilidade nos estudos, transformando esses dados em ferramentas estratégicas para novas pesquisas em resposta à crise climática.

“É preciso olhar para esses mapas e seus dados como uma ferramenta estratégica para o delineamento de novas pesquisas em resposta à crise climática”, completa Pacheco, reforçando a necessidade de ações políticas e científicas integradas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas no setor agrícola brasileiro.

Relacionadas

Estudo canadense revela corte de 40% em emissões na produção de batata

Estudo canadense revela corte de 40% em emissões de carbono na produção...

Yara e PepsiCo colhem primeira safra de batatas de baixíssimo carbono no Paraná

Yara e PepsiCo colhem a primeira safra de batatas de baixíssimo carbono...

Extratos de Ascophyllum nodosum impulsionam agricultura sustentável no Brasil e Paraguai

Descubra como extratos de Ascophyllum nodosum, bioestimulantes naturais, impulsionam a produtividade e...

Conab relata bom desenvolvimento de lavouras no Brasil com clima favorável

A Conab destaca bom desenvolvimento das lavouras de grãos, cana-de-açúcar e café...