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sexta-feira , 6 março 2026
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BrasilAgro expande operações em Mato Grosso, mas adota cautela em compras de terras

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A BrasilAgro anunciou um novo contrato de arrendamento em Mato Grosso, integrando 3 mil hectares em Comodoro à sua operação existente de 4 mil hectares para a safra 2025/26. Essa expansão reflete a estratégia da companhia de fortalecer sua presença na região, mesmo em um cenário de volatilidade nos preços das commodities agrícolas.

Apesar do otimismo com o arrendamento, a empresa mantém uma postura cautelosa em relação à aquisição de terras. Segundo o CEO André Guillaumon, os preços das terras dispararam quando a saca de soja atingiu R$ 200 e ainda não recuaram o suficiente para atrair novas compras. Ele comparou a dinâmica dos preços a um ditado: “as coisas sobem de elevador e descem de escada”, alertando que frustrações climáticas ou elevações nos preços da soja poderiam interromper qualquer tendência de queda.

Guillaumon explicou que períodos prolongados de preços baixos nas commodities, como quatro ou cinco anos, impactam nominalmente o valor das terras, mas o declínio atual não é significativo. A companhia foca em ativos estressados para oportunidades atrativas, prevendo mais espaço para reduções nos preços. Nesse contexto, a BrasilAgro se posiciona mais como vendedora, priorizando a gestão e transformação de propriedades para maximizar ganhos com valorizações.

No ano fiscal de 2025, a receita com vendas de fazendas caiu 18% em comparação ao anterior, mas o CEO não se preocupa, enfatizando que o problema seria não vender nada. A empresa registrou recursos de vendas como as fazendas Preferência e Alto Taquari, anunciadas em 2022 e contabilizadas neste ano. Guillaumon destacou que, enquanto o Mato Grosso não oferece boas condições para vendas, a Bahia se mostra favorável devido a culturas irrigadas, e antevê um ponto de inflexão em 2026 que poderia impulsionar uma postura mais compradora.

O câmbio desempenha um papel crucial na estratégia da companhia. Para a safra 2025/26, a BrasilAgro estima um aumento de 7% nos custos de produção da soja e aposta em hedges para garantir margens. Já fixou 38% da produção a uma taxa de R$ 6,23, superior aos R$ 5,43 da safra anterior, e 28% da soja a US$ 10,56 por bushel, alinhado aos valores da Bolsa de Chicago. Guillaumon alertou para riscos em um ano eleitoral, com custos em dólar alto e possíveis receitas em dólar baixo devido a instabilidades políticas.

No balanço anual, a receita líquida cresceu 14%, alcançando R$ 877 milhões, mas o Ebitda ajustado caiu 4%, para R$ 267 milhões, impactado pelo clima adverso na produção de algodão na Bahia e no Paraguai. O lucro líquido despencou 39%, para R$ 138 milhões, influenciado pela absorção de dívidas da Novo Horizonte e pelo aumento nos custos da dívida com a escalada da Selic. No quarto trimestre, o Ebitda ajustado foi negativo em R$ 111 mil, revertendo um resultado positivo anterior, principalmente devido a perdas com derivativos.

Guillaumon comentou sobre o atraso na comercialização brasileira de soja, com apenas 17% vendida até agosto, segundo a Safras & Mercado. Ele atribuiu decisões irracionais dos produtores a uma recuperação nos prêmios, que chegaram a US$ 2,00 por bushel, mas previu quedas para 60 ou 70 centavos, influenciadas por um possível acordo comercial entre Estados Unidos e China.

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