O plantio da safra 2025/26 já está autorizado nas regiões mais precoces do Paraná e será liberado em Mato Grosso na próxima semana, mas os produtores não demonstram pressa para entrar em campo. De acordo com Marcos Rubin, CEO e Fundador da Veeries, essa cautela reflete lições aprendidas em temporadas anteriores e condições atuais que influenciam as decisões agrícolas.
No Paraná, o temor de repetir os erros da safra passada é um fator decisivo. Muitos agricultores que optaram por semear cedo enfrentaram um veranico logo após o plantio, o que comprometeu o desenvolvimento inicial das lavouras. Esse receio foi evidente durante o evento Caminhos da Soja, realizado no Norte e no Oeste do estado na semana passada, com participação da equipe da Veeries.
A maioria dos produtores paranaenses afirmou que só deve iniciar os trabalhos depois do dia 10 de setembro, aguardando maior segurança climática. Essa estratégia visa evitar riscos desnecessários e garantir uma melhor germinação das sementes, priorizando a estabilidade do clima sobre a adesão estrita ao calendário oficial.
Em Mato Grosso, a cautela se justifica por motivos diferentes, embora o calendário oficial abra no dia 07. A regularização das chuvas é esperada apenas após o dia 15, e em várias áreas ainda está em andamento a colheita do algodão safrinha, dividindo a atenção dos agricultores entre finalizar a operação atual e iniciar o novo ciclo da soja.
Essa sobreposição de atividades tende a segurar o ritmo inicial da safra, conforme observado por Rubin. Apesar do compasso de espera, tanto no Paraná quanto em Mato Grosso ainda há espaço para um plantio dentro da normalidade, podendo ocorrer alguma antecipação, mas em ritmo mais controlado.
Cenários distintos marcam as duas regiões, mas um dilema comum se impõe aos produtores: seguir estritamente o calendário ou confiar nos sinais do campo e do clima para tomar decisões mais seguras. Essa abordagem reflete uma adaptação pragmática às incertezas climáticas que afetam a produtividade agrícola.