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sexta-feira , 6 março 2026
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Falcão: o touro brasileiro que desafiou tradições europeias na maior feira agropecuária da América Latina

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Pela primeira vez em quase cinco décadas da Expointer, a maior feira agropecuária da América Latina, um touro zebuíno conquistou o título de animal mais pesado do evento. O feito histórico foi protagonizado por Falcão, um exemplar da raça Brahman, de sete anos, que registrou impressionantes 1.430 kg. Essa marca desbancou a hegemonia de raças europeias, como Charolês, Limousin e Devon, que tradicionalmente dominavam essa categoria.

A conquista rendeu à Cabanha Talismã, localizada em Içara, Santa Catarina, um marco em sua estreia na Expointer. Falcão, carinhosamente chamado de Hércules na fazenda, não só impressiona pela imponência física, mas também pela qualidade como reprodutor. Seus bezerros são reconhecidos pelo bom desenvolvimento, destacando o potencial genético do animal.

De acordo com o tratador Edinaldo Souza Borges, o sucesso resulta de um trabalho consistente. Ele explicou que Falcão é um bom reprodutor, com sua genética sendo utilizada para gerar bezerros de destaque. O touro ganhou peso de forma eficiente, o que motivou a participação na feira. Borges enfatizou que o Brahman se adaptou bem em Santa Catarina, onde raças europeias enfrentam dificuldades, e hoje é altamente demandado pela sua rusticidade.

A raça Brahman, uma das principais zebuínas no Brasil, consolida-se como alternativa estratégica na pecuária de corte. Suas características incluem docilidade para facilitar o manejo, rusticidade para adaptação a diferentes ambientes, eficiência no ganho de peso, adaptabilidade ao calor, resistência a parasitas e bom desempenho em cruzamentos industriais, que agregam qualidade à carne e à produtividade.

A história do zebu no Brasil remonta ao século XIX, com os primeiros exemplares introduzidos no país. Desde então, tornaram-se a base genética do rebanho nacional, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Atualmente, mais de 80% do rebanho de corte brasileiro possui sangue zebuíno, com destaque para raças como Nelore, Guzerá e Brahman, devido à adaptabilidade e ao rendimento em condições adversas.

Essa predominância contribui para a sustentabilidade da pecuária brasileira. A vitória de Falcão simboliza o protagonismo zebuíno, mostrando que a genética tropicalizada não só resiste às condições locais, mas pode superar raças europeias em desempenho.

O feito de Falcão e da Cabanha Talismã inscreve seus nomes na história da Expointer, reforçando que a força do zebu representa o futuro da pecuária nacional.

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