A Petrobras está planejando adquirir uma empresa produtora de etanol de milho ainda neste ano, marcando seu retorno a um setor do qual se afastou na década passada com a venda de ativos. Essa informação foi apurada pelo Valor, destacando o crescimento do segmento como uma alternativa à cana-de-açúcar na produção de biocombustíveis. Projetos em andamento na área de etanol de milho envolvem investimentos de R$ 23 bilhões, conforme reportado recentemente.
Em nota, a Petrobras confirmou que realiza estudos e análises de oportunidades nos segmentos de bioprodutos, incluindo etanol. A empresa ressaltou que seu plano de negócios para 2025-2029 prevê investimentos nesse setor, preferencialmente por meio de parcerias estratégicas minoritárias ou com controle compartilhado junto a players relevantes. Embora não haja definições sobre projetos específicos de etanol a partir do milho, a estatal esclareceu que não há restrições quanto à matéria-prima a ser utilizada.
Esse potencial retorno ocorre em meio a um movimento mais amplo da Petrobras no setor de distribuição de combustíveis, intensificado desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A estatal tem sinalizado interesse em retomar presença nesse mercado, o que gerou especulações sobre operações de fusão e aquisição. Em agosto, o Valor reportou que os acionistas da Raízen, como Shell e Cosan, buscam um novo sócio, e dias depois, O Globo mencionou estudos da Petrobras para comprar uma fatia na empresa, o que foi negado pela estatal.
Fontes do setor indicam que a Petrobras analisa oportunidades com diversas empresas, mas a Raízen não estaria na lista até o momento. Outra hipótese levantada é uma operação com a Vibra, antiga BR Distribuidora, privatizada no governo de Jair Bolsonaro. No entanto, analistas veem essa possibilidade como remota, devido a restrições como a necessidade de oferta por toda a companhia e questões de defesa da concorrência por concentração de mercado. O valor de mercado da Vibra era de R$ 27,9 bilhões no fechamento da B3 em 5 de outubro.
A Petrobras tem criticado a privatização da BR, argumentando que ela a afastou dos clientes finais, e busca acordos diretos com grandes consumidores, como contratos de venda de combustível de navegação com adição de 24% de biodiesel à Vale. Há também sinalizações de retorno ao mercado de gás de cozinha. No entanto, desafios incluem uma cláusula de não-competição com a Vibra até 2029, que garante à empresa o uso da marca BR.
A Vibra tem expandido em áreas de transição energética, com aquisições como a Comerc Energia (colocada à venda), Zeg Biogás e entrada no capital da EZVolt, além de uma joint venture com a Copersucar para trading de etanol. Junto com Raízen e Ipiranga, elas detêm 61,3% do mercado de distribuição, segundo dados da ANP de 3 de setembro.
Esses movimentos no setor coincidem com esforços para combater irregularidades, como fraudes e evasão fiscal. Na semana passada, operações federais e estaduais miraram esquemas bilionários atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC), principal grupo criminoso do país, que afetam a fatia de mercado das grandes distribuidoras.