O mercado de milho apresentou movimentos distintos nesta segunda-feira, com ajustes na B3 e quedas em Chicago, conforme análise da TF Agroeconômica. Os contratos futuros no Brasil encerraram de forma mista, influenciados pela alta do dólar, que não conseguiu compensar a pressão negativa vinda do exterior. A ampla oferta, típica da reta final da colheita, posiciona os compradores de forma confortável, enquanto os vendedores adotam uma postura cautelosa, liberando apenas pequenos lotes e aguardando preços mais atrativos.
Na B3, os ajustes foram pontuais. O contrato de setembro/25 fechou em R$ 65,47, com uma leve alta diária de R$ 0,08 e ganho semanal de R$ 0,52. Já o vencimento de novembro/25 encerrou a R$ 68,18, registrando queda de R$ 0,06 no dia e recuo de R$ 0,97 na semana. O contrato de janeiro/26 foi cotado a R$ 71,28, em baixa de R$ 0,03 no dia e de R$ 0,69 na semana. Esses resultados refletem um cenário onde os vendedores, atentos às recentes valorizações nos portos e no mercado internacional, mantêm a oferta restrita e exigem preços firmes em novos negócios.
No cenário externo, as cotações do milho em Chicago recuaram devido ao avanço da colheita nos Estados Unidos, que se encaminha para confirmar a maior safra da história do país. O contrato de dezembro caiu 0,47%, encerrando a US$ 419,75/bushel, enquanto o de março recuou 0,46%, para US$ 437,50/bushel. Embora a demanda permaneça sólida, o mercado ainda questiona o real tamanho da safra reportada pelo USDA, o que limita quedas mais intensas.
Outro fator de pressão veio de uma proposta de lei nos Estados Unidos que pretende bloquear a realocação das obrigações de mistura de biocombustíveis. Essa medida pode reduzir a demanda de milho destinado à produção de etanol, adicionando incerteza ao mercado futuro. A proposta legislativa surge em um contexto de debates políticos sobre energia renovável e agricultura, podendo influenciar as dinâmicas globais de commodities.
Esses elementos destacam como fatores externos, incluindo políticas regulatórias nos EUA, impactam diretamente o mercado brasileiro de milho. Com a colheita avançando e o dólar em alta, os agentes do setor permanecem vigilantes, ajustando estratégias para mitigar riscos em um ambiente volátil.