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sexta-feira , 6 março 2026
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Inovação no Amapá transforma caroços de açaí em bebida exportada com apoio do governo federal

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O fruto amazônico açaí, conhecido mundialmente por sua polpa usada em sucos e sorvetes, gera um desafio ambiental devido ao descarte de caroços, que representam 85% do fruto. Em regiões produtoras como Macapá, no Amapá, produtores e pesquisadores desenvolveram o “café de açaí”, uma bebida quente e amarga produzida a partir de caroços secos, torrados e moídos. Essa inovação não só reduz resíduos, mas também cria novas oportunidades econômicas, com expansão no Brasil e no exterior.

O casal Valda Gonçalves e Lázaro Gonçalves, sócios da Engenho Café de Açaí em Macapá, iniciou o processamento de polpa de açaí em 2011, mas sempre se preocupou com o volume de resíduos descartados. Segundo Lázaro, para cada cinco litros de açaí, apenas um litro é polpa, e o restante vira lixo, com cerca de 25 toneladas de caroços descartados diariamente só na capital amapaense. Dados do IBGE indicam que a coleta de açaí no país atingiu 238,9 mil toneladas em 2023, ocupando 9,66 milhões de hectares.

Formado em administração com especialização em gestão da inovação, Lázaro pesquisou e descobriu que os caroços concentram mais nutrientes que a polpa. Em 2020, durante a pandemia, o casal desenvolveu a bebida com testes de sabor, torra e moagem, contando com apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Amapá para equipamentos. A bebida, rica em inulina, antioxidantes e taninos, ajuda a controlar glicemia e colesterol, segundo estudos da Unicamp, e não contém cafeína, apesar do nome poético.

A Engenho Café de Açaí, que emprega nove pessoas e fatura R$ 700 mil anualmente, realizou sua primeira exportação em 2023 para a Alemanha, com 500 quilos, seguida de um contrato de 2,5 toneladas para os Estados Unidos em 2024. Agora, negocia com os Emirados Árabes a venda de 40 toneladas mensais, o que exige expansão da capacidade atual de 10 toneladas por mês. A empresa recebeu impulso do Programa Centelha, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Finep e CNPq, em parceria com Confap e Fundação CERTI, que apoiou validação, testes e registro do produto.

Outros empreendedores seguem o exemplo. Em Nova Conquista, Sergipe, o casal Rívia e Alex Ferreira produz 100 quilos mensais de café de açaí em seu sítio, com planos de expansão para 3,2 mil quilos. No Amapá, Francisco Soares da Silva, da Café de Açaí Faustina, lança cappuccino gelado de açaí e negocia fornecimento para merendas escolares. No Pará, a Guamá Polpas oferece blends com café e cacau, destacando a redução de resíduos e valorização da floresta.

O Programa Centelha, com R$ 155 milhões previstos para 2025, incentiva a transformação de ideias em negócios, apoiando mais de 1,5 mil startups anualmente. Daniel Almeida Filho, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, enfatiza o foco em pesquisadores que convertem ideias em empreendimentos. Essa iniciativa governamental reflete esforços para promover inovação sustentável na Amazônia, alinhando desenvolvimento econômico com preservação ambiental.

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