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sexta-feira , 23 outubro 2026
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Caixa Econômica Federal restringe crédito rural diante de inadimplência em alta

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A Caixa Econômica Federal adotou uma postura mais cautelosa no crédito rural, mas não conseguiu evitar o avanço da inadimplência no segundo trimestre. De acordo com o balanço divulgado na noite de quarta-feira, os atrasos acima de 90 dias na carteira ligada ao agronegócio alcançaram 7% em junho, um salto significativo em comparação aos 4,3% registrados em março e aos 2,1% de um ano antes. Essa classificação segue a recomendação recente do Conselho Monetário Nacional (CMN), que define tais atrasos como “Estágio 3”.

Ao recalcular os percentuais com base nos dados do relatório, a inadimplência aparece ligeiramente alterada: 6,3% em março e 8,75% em junho, em relação à carteira total de agro. Essa tendência reflete desafios no setor, influenciados por fatores econômicos que afetam produtores rurais. O banco estatal, controlado pelo governo federal, destacou em seu relatório uma abordagem mais rígida na concessão de financiamentos, especialmente para pessoas físicas, como produtores rurais individuais.

Diferentemente do Banco do Brasil, onde o agronegócio representa quase um terço da carteira total de crédito – com mais de R$ 363 bilhões dedicados ao setor –, na Caixa essa participação é bem menor. Os financiamentos rurais somaram R$ 60,5 bilhões em junho, de uma carteira global de R$ 1,2 trilhão. A maior fatia permanece nos financiamentos imobiliários, que totalizaram R$ 875 bilhões, demonstrando o foco principal do banco em outros segmentos.

No Banco do Brasil, o aumento da inadimplência acima de 90 dias, de 3,04% em março para 3,49% em junho, impactou diretamente o desempenho das ações na Bolsa após a divulgação dos resultados. Já na Caixa, embora o peso do agro seja menor, o banco reportou uma redução de 4,8% na carteira rural em relação a março, sinalizando uma estratégia de contenção de riscos. Essa diminuição foi ainda mais acentuada nos empréstimos para produtores rurais pessoas físicas, com queda de 2,9% no período.

O relatório da administração da Caixa mencionou explicitamente essa postura mais restrita, o que pode estar alinhado a diretrizes governamentais para mitigar exposições em setores voláteis como o agronegócio. Em um contexto de políticas públicas que incentivam o crédito rural para apoiar a produção agrícola, essa retração da Caixa levanta questões sobre o equilíbrio entre apoio ao setor e gestão de riscos financeiros nos bancos estatais.

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