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sexta-feira , 30 outubro 2026
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China compra 1 milhão de toneladas de soja dos EUA e movimenta mercado antes de visita de Xi

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Aquisições ocorrem em meio à redução dos estoques brasileiros e podem alterar a disputa entre Brasil e Estados Unidos pelo maior mercado importador de soja do mundo

A China comprou cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos nesta semana, ampliando a presença do produto norte-americano no mercado chinês às vésperas de uma possível visita do presidente Xi Jinping a Washington. O movimento ganha importância para o agronegócio brasileiro, já que Brasil e Estados Unidos disputam diretamente o abastecimento do maior importador mundial da oleaginosa.

As novas operações aproximam as compras chinesas de soja norte-americana de metade das 25 milhões de toneladas anuais que, segundo a Casa Branca, Pequim se comprometeu a adquirir dos Estados Unidos até 2028. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também informou recentemente vendas de 340 mil toneladas para a China e outras 100 mil toneladas para destinos ainda não identificados.

Estoques brasileiros entram no radar

A retomada das compras ocorre justamente em um período de redução sazonal da disponibilidade de soja no Brasil. Como principal exportador mundial, o país abasteceu fortemente o mercado chinês ao longo dos últimos meses, mas a diminuição dos estoques até a chegada da próxima safra pode abrir mais espaço para a soja norte-americana.

O cenário merece atenção dos produtores brasileiros. A China continua sendo o principal destino da soja nacional e qualquer mudança no direcionamento das compras pode influenciar prêmios de exportação, cotações internas, câmbio e estratégias de comercialização da safra 2026/27. No início de setembro, o mercado brasileiro já acompanhava a recuperação da demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos e a valorização das cotações em Chicago.

Relações comerciais influenciam mercado

As negociações também possuem forte componente diplomático. Mesmo com a manutenção de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos norte-americanos, uma eventual redução das barreiras comerciais poderia tornar a soja dos Estados Unidos mais competitiva para esmagadoras privadas chinesas. Empresas estatais estão entre os compradores apontados nas operações recentes.

Para o agronegócio da Bahia, especialmente no Oeste do estado, um dos principais polos produtores de soja do Nordeste, a movimentação internacional reforça a necessidade de acompanhar Chicago, câmbio e prêmios nos portos brasileiros. A combinação entre demanda chinesa, safra norte-americana e avanço do plantio brasileiro deverá permanecer entre os principais fatores de formação dos preços nos próximos meses.

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