O pregão regular de quinta-feira na bolsa de Chicago registrou leves quedas nos preços dos contratos futuros de soja, milho e trigo, refletindo a persistente baixa demanda global pelos grãos. Esse cenário é agravado pela guerra tarifária entre Estados Unidos e China, além das boas perspectivas para a safra americana, que não apresentam alterações significativas no quadro de oferta e demanda.
Nos contratos de soja para novembro, os mais negociados, houve uma queda de 0,24%, com os papéis sendo cotados a US$ 10,4125 por bushel. A pressão adicional vem do andamento da colheita nos EUA, onde as condições climáticas favoráveis, com predominância de tempo seco no cinturão produtor, facilitam os trabalhos, segundo Jack Scoville, do Price Futures Group. Ele destaca que a demanda pela soja americana permanece retraída, impedindo uma recuperação nos preços.
Dados recentes do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revelam que as vendas de soja do país na semana entre 5 e 11 de setembro totalizaram apenas 923 mil toneladas, sem a presença da China entre os importadores. A empresa de pesquisa AgResource aponta que a decisão do presidente dos EUA, Trump, de retirar tarifas de 20% sobre o fentanil sugere que a China continuará evitando a soja americana, mantendo suas próprias tarifas sobre grãos e outros produtos dos EUA.
Scoville, em relatório, reforça que a China ainda não comprou soja dos EUA nesta nova safra, gerando preocupações entre os comerciantes sobre uma demanda significativamente menor este ano. Ele observa que a China tem absorvido quase toda a exportação de soja da América do Sul, o que contribui para a baixa demanda pelos produtos americanos e pressiona os valores na bolsa.
Para o milho, os contratos de dezembro registraram uma queda de 0,18%, negociados a US$ 4,26 por bushel, com pouca variação devido à ausência de novidades no mercado. O USDA informou que foram negociadas 1,23 milhão de toneladas de milho com o exterior na semana até 11 de setembro.
O trigo também opera com variações mínimas, com os contratos para dezembro caindo 0,12%, a US$ 5,4750 por bushel. Hoje, o Conselho Internacional de Grãos e Cereais (IGC) elevou em 8 milhões de toneladas sua perspectiva para a produção mundial do cereal na safra 2025/26, projetando um total de 819 milhões de toneladas, o que pode influenciar o equilíbrio global de oferta.