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sexta-feira , 25 setembro 2026
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Tarifas dos EUA abalam exportações brasileiras de alimentos e expõem vulnerabilidades comerciais

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As exportações brasileiras de alimentos industrializados totalizaram US$ 5,9 bilhões em agosto, registrando uma queda de US$ 300 milhões, ou 4,8%, em comparação com julho, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). Esse recuo foi impulsionado principalmente pela perda de mercado nos Estados Unidos, após a imposição de tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros. As vendas para os EUA somaram US$ 332,7 milhões, o que representa uma retração de 27,7% frente a julho e de 19,9% na comparação com agosto de 2024.

Produtos como açúcares, com queda de 69,5%, proteínas animais, com redução de 45,8%, e preparações alimentícias, com diminuição de 37,5%, foram os mais afetados pelas novas tarifas. Em julho, antes da entrada em vigor das medidas, os Estados Unidos haviam importado US$ 460,1 milhões em alimentos industrializados do Brasil. João Dornellas, presidente executivo da ABIA, destacou que o crescimento de julho foi seguido por um ajuste em agosto, especialmente nos EUA, enquanto a China se consolidou como mercado âncora.

Dornellas enfatizou a necessidade de diversificação de destinos e maior capacidade de negociação comercial para o Brasil, diante da queda registrada. Apesar do impacto nos Estados Unidos, o México aumentou suas compras em 43%, totalizando US$ 221,1 milhões, com destaque para proteínas animais. A ABIA sugere que esse movimento pode indicar um redirecionamento estrutural de fluxos comerciais, embora ainda seja prematuro confirmar se a tendência se manterá.

A China, principal destino das exportações brasileiras, adquiriu US$ 1,32 bilhão em alimentos industrializados, registrando alta de 10,9% em relação a julho e de 51% frente a agosto de 2024, representando 22,4% do total exportado. Em contrapartida, a Liga Árabe reduziu suas importações em 5,2%, para US$ 838,4 milhões, e a União Europeia recuou 14,8%, para US$ 657 milhões. A associação estima que, de agosto a dezembro, as vendas de produtos afetados pelas tarifas americanas acumulem queda de 80%, gerando perdas de até US$ 1,35 bilhão no período.

No acumulado de janeiro a julho de 2025, as exportações gerais do setor somaram US$ 36,44 bilhões, com leve queda de 0,3% sobre o mesmo período de 2024, influenciada pela menor produção de açúcar na entressafra. O suco de laranja, não impactado pelas tarifas, registrou alta de 6,8% em relação a agosto do ano passado, apesar de recuo de 11% frente a julho devido à antecipação de embarques. O setor de alimentos mantém relevância no emprego formal, com 2,114 milhões de postos diretos em julho, criação líquida de 67,1 mil vagas em um ano, ou crescimento de 3,3%. No acumulado de 2025, foram abertas 39,7 mil vagas diretas e outras 159 mil ao longo da cadeia produtiva.

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