O mercado pecuário brasileiro encerrou a semana com uma confirmação da tendência de queda nos preços em várias regiões chave. Nesta sexta-feira, 19 de setembro, nas praças de Araçatuba e Barretos, em São Paulo, que servem como referências para as cotações, o preço do boi gordo registrou uma redução de R$ 2, chegando a R$ 305 por arroba no pagamento a prazo, de acordo com dados da Scot Consultoria.
Ao longo da terceira semana de setembro, as cotações do boi gordo, das fêmeas e do chamado “boi China” apresentaram um recuo de R$ 5 no Estado de São Paulo. Esse movimento descendente foi impulsionado principalmente pelo alongamento das escalas de abate, o que permitiu que alguns frigoríficos diminuíssem os valores ofertados aos produtores.
Nas praças paulistas, as escalas de abate estão, em média, em dez dias, proporcionando maior flexibilidade aos compradores. Esse cenário reflete uma estratégia dos frigoríficos para gerenciar estoques e custos em um período de menor pressão de demanda.
Além disso, o ritmo lento das vendas de carne bovina no mercado interno contribuiu para intensificar a pressão sobre os preços. Com isso, as negociações tornaram-se mais cautelosas, com compradores buscando oportunidades pontuais para aquisições a valores mais baixos, o que afeta diretamente a rentabilidade dos pecuaristas.
Das 33 praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria, 20 mantiveram estabilidade nas cotações nesta sexta-feira, enquanto 12 registraram quedas nos valores negociados. Apenas em Roraima houve um aumento nos preços, destacando-se como exceção em um panorama predominantemente de baixa ou estagnação.
Esse contexto de queda generalizada pode sinalizar desafios econômicos para o setor, especialmente em regiões dependentes da pecuária, como São Paulo, onde a produção é significativa. A Scot Consultoria aponta que o alongamento das escalas e a lentidão nas vendas são fatores conjunturais que influenciam o mercado, exigindo atenção dos produtores para ajustes em suas estratégias.