A primavera de 2025 começa oficialmente em 22 de setembro, marcando a transição do inverno para o verão no Brasil. Nesse período, as temperaturas médias e a umidade tendem a aumentar, criando condições ideais para a formação de áreas de instabilidade tropical, impulsionadas pelo calor e pela alta umidade atmosférica. Essas instabilidades avançam pelo interior do país e interagem com frentes frias vindas do Sul para o Sudeste, potencializando a nebulosidade e iniciando o regime de chuvas que caracteriza a fase úmida nas principais regiões agrícolas.
Neste ano, o período úmido deve se iniciar sem atrasos significativos na maior parte do território brasileiro. Em algumas áreas, pancadas de chuva já foram observadas em setembro, especialmente na segunda quinzena, e essa instabilidade deve se espalhar gradualmente, consolidando maior umidade em regiões produtoras importantes. Esse avanço paulatino permite que o plantio da safra de verão 2025/2026 ocorra de forma escalonada, começando pelo Sul, seguindo para o Cerrado e terminando no Matopiba, que inclui partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Entre outubro e dezembro, as chuvas devem se intensificar e se tornar mais frequentes no centro e norte do Brasil, beneficiando culturas como soja e milho de primeira safra. No entanto, o excesso de precipitações em certos momentos da primavera pode favorecer o surgimento de pragas e doenças fúngicas devido à redução de radiação solar. Por isso, é essencial que os produtores monitorem as previsões climáticas para agendar tratos culturais e aplicações de defensivos de acordo com as condições meteorológicas, evitando riscos ao ciclo agrícola.
Produtores de soja precisam atentar para o calendário do vazio sanitário, uma medida fitossanitária que proíbe o plantio e a manutenção da cultura por pelo menos 90 dias, visando reduzir a presença da ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. No Norte, a elevação gradual da temperatura e umidade do Atlântico promove o desenvolvimento de nuvens de chuva, aumentando a precipitação em áreas produtoras e evitando atrasos no plantio. No Centro-Oeste, estados como Mato Grosso recebem as primeiras chuvas plantadeiras, com expansão gradual para Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal a partir de meados de outubro.
No Nordeste, não há previsão de atrasos, com o plantio iniciando no sul e oeste da Bahia entre o final de novembro e início de dezembro. No Sudeste, São Paulo liberou o vazio sanitário em 31 de agosto, mas ainda registra baixos níveis de umidade no solo; nas próximas semanas, instabilidades devem favorecer a semeadura, estendendo-se a Minas Gerais. Um fator adicional de atenção é o resfriamento no Oceano Pacífico equatorial, indicando a formação de um episódio de La Niña, com probabilidade de 71% de ocorrência entre outubro e dezembro, segundo o CPC-NOAA, podendo persistir até o início de 2026.
O atraso das chuvas na primavera representaria um risco sério à produtividade, comprometendo a primeira safra e impactando o calendário da segunda, com efeitos negativos sobre a rentabilidade devido ao aumento dos custos de produção e estreitamento das margens de lucro. Consultorias especializadas, como a Nottus, monitoram os períodos de semeadura e a evolução das instabilidades, ajudando a identificar o momento ideal para as chuvas plantadeiras e mitigar riscos.
Alexandre Nascimento, sócio-diretor, e Desirée Brandt, sócia-executiva, ambos meteorologistas na Nottus, destacam a importância de previsões meteorológicas para decisões estratégicas no campo, garantindo a segurança produtiva e financeira dos agricultores.