O café arábica registrou uma forte queda na bolsa de Nova York nesta terça-feira, 23 de setembro, influenciado por notícias positivas para a oferta do grão. Os contratos para dezembro caíram 4,68%, fechando a US$ 3,5015 por libra-peso, em um dia marcado por ajustes no cenário regulatório internacional e condições climáticas favoráveis.
De acordo com Renata Eller, da Eller Trading de Café, a desvalorização foi impulsionada pela proposta da Comissão Europeia de adiar a implementação da lei antidesmatamento, conhecida como EUDR. Essa legislação impõe certificações rigorosas para exportações agrícolas do Brasil, como o café, visando combater o desmatamento. Eller destaca que, em meio a dificuldades nas exportações para os Estados Unidos devido a tarifas elevadas, o adiamento facilita as negociações com a Europa, onde empresas e governos já alertavam sobre os altos custos da medida.
Além do fator regulatório, as cotações do café foram afetadas por chuvas registradas em áreas produtoras do Vietnã, o maior exportador mundial de café robusta. No Brasil, as precipitações recentes beneficiaram o surgimento de floradas, embora ainda seja incerto se elas resultarão em grãos saudáveis, conforme observa a analista. Esses elementos climáticos contribuem para uma percepção de maior oferta no mercado global.
Enquanto isso, o cacau mostrou recuperação parcial na mesma bolsa, com os contratos para dezembro subindo 0,47%, a US$ 6.992 por tonelada, após perdas na sessão anterior. Analistas apontam para uma tendência de estabilização nos preços no curto e médio prazo, impulsionada por perspectivas positivas na produção do oeste da África para a safra 2025/26, que começa em outubro.
O açúcar também se valorizou, com os papéis do demerara para março avançando 1,51%, a 16,15 centavos de dólar por libra-peso, motivado por ajustes técnicos. Da mesma forma, o suco de laranja e o algodão registraram altas: os contratos de novembro para o suco subiram 2,53%, a US$ 2,4475 por libra-peso, enquanto os lotes de algodão para dezembro fecharam em alta de 0,63%, a 66,64 centavos de dólar por libra-peso.
Essas movimentações no mercado de commodities refletem não apenas dinâmicas climáticas e técnicas, mas também o peso de políticas internacionais, como as regulamentações europeias, que influenciam diretamente as exportações brasileiras e o equilíbrio econômico global.