Uma frente fria que atingiu o Sul do Brasil no início da semana trouxe chuvas intensas e vendavais ao estado de São Paulo, alterando significativamente as condições climáticas em diversas regiões. No Paraná, a precipitação elevou a umidade do solo, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento agrícola em toda a região Sul. De acordo com dados da Conab, o plantio de soja no Paraná já foi concluído em 3% das áreas até 20 de setembro, sinalizando um início promissor para a safra.
No entanto, as precipitações foram irregulares no Sudeste e no Centro-Oeste, com acumulados variando de cerca de 40 milímetros no norte de Mato Grosso a menos de 10 milímetros no nordeste de Mato Grosso do Sul e na Zona da Mata de Minas Gerais. Essa variação resulta em níveis inconsistentes de umidade no solo, beneficiando algumas áreas, como o norte de Mato Grosso, onde as condições são ideais para o plantio de soja, sem previsão de longos períodos secos. Por outro lado, regiões como o oeste de São Paulo, o nordeste de Mato Grosso do Sul e o Vale do Araguaia, entre Mato Grosso e Goiás, permanecem com solos extremamente secos.
A preocupação maior recai sobre áreas onde a umidade aumentou recentemente, mas as chuvas não serão regulares, como a Mogiana Paulista, o sul e o cerrado de Minas Gerais, além do sudoeste de Goiás. Nesses locais, iniciar o plantio agora eleva o risco de replantio devido à instabilidade climática. No fim de semana, as chuvas intensas se concentrarão no centro e oeste do Rio Grande do Sul, com acumulados de até 30 milímetros, enquanto na terça-feira seguinte, eventos de precipitação forte ocorrerão no oeste do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul, alcançando 35 milímetros.
Com exceção do sul de Mato Grosso do Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste enfrentarão um período sem chuvas significativas, marcado por frio no fim de setembro e calor intenso na primeira semana de outubro, o que deve reduzir rapidamente a umidade do solo. A partir da segunda semana de outubro, no entanto, a situação mudará com a regularização das precipitações no norte e oeste de Mato Grosso, avançando para o centro e leste do país, abrangendo todo o Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e o norte de São Paulo e Mato Grosso do Sul até o fim dessa semana.
Essa transição em outubro pode ser brusca, com possibilidade de uma invernada, caracterizada por tempo mais fechado, chuvoso e temperaturas mais baixas na terceira semana do mês no Sudeste e Centro-Oeste, potencialmente interrompendo atividades de campo por excesso de chuva. Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, a frequência de precipitações será menor inicialmente, sem preocupações imediatas, mas com riscos de estiagens a partir de meados de novembro devido ao desenvolvimento de um fenômeno La Niña.
Na região do Matopiba, que inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a frequência de chuvas aumentará em Tocantins e partes do sudoeste da Bahia e Maranhão, embora muitas áreas ainda não tenham condições para plantio em outubro. Somente em meados de novembro a precipitação deve ser suficiente para a instalação da safra nos quatro estados. Essas variações climáticas, analisadas por especialistas como Celso Oliveira, meteorologista da Tempo OK e mestre em agronomia pela Universidade de São Paulo, destacam a necessidade de monitoramento contínuo para mitigar impactos na produção agrícola.