A BrasilAgro, uma das principais empresas no Brasil em compra, desenvolvimento e venda de propriedades rurais, completou seu primeiro ano-safra sem realizar aquisições de fazendas, optando apenas por um arrendamento em Comodoro, no Mato Grosso. Apesar de ter sido procurada por diversas oportunidades, a companhia não encontrou ativos que atendessem aos seus critérios de rentabilidade. O CEO André Guillaumon destacou, durante o BrasilAgro Day em São Paulo, a necessidade de cautela nas aquisições, priorizando momentos adequados para investimentos e desinvestimentos.
Guillaumon explicou que os preços das terras ainda estão elevados, influenciados pelo período em que a soja atingiu R$ 200 por saca, e não caíram o suficiente para justificar compras. Fatores cíclicos, como a taxa Selic em níveis altos, geram preocupações com alavancagem, enquanto o mercado apresenta super oferta de ativos. A empresa monitora a expectativa de dólar a R$ 5,60 em 2026, o que reforça a estratégia de manter baixa alavancagem.
O crescimento nos pedidos de recuperação judicial desacelerou em 2025, passando de 138% em 2024 para 40%, mas o ritmo de ativos sob estresse permanece significativo devido à Selic elevada e à alavancagem de produtores. A liderança da BrasilAgro vê nessa via uma oportunidade para expandir o portfólio imobiliário. Ana Paula Zerbinati, gerente executiva de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, ressaltou o aumento nas abordagens de bancos, com ofertas recorrentes de fazendas de clientes em dificuldades.
No ano-safra 2024/25, a companhia analisou 369 oportunidades e recusou 337 delas com base em critérios específicos, como topografia, solo e regime de chuvas (42% das negativas), preço descasado (31%), tamanho inadequado (18%), vegetação em biomas sensíveis (3%) e disponibilidade (4%). As recusas concentraram-se no Centro-Oeste e na região do Matopiba, com Mato Grosso liderando com 116 propostas declinadas, seguido por Bahia (57), Tocantins (41), Maranhão (32), Piauí (24) e Mato Grosso do Sul (22). Cerca de 30 propostas ainda estão em avaliação.
Em termos financeiros, a BrasilAgro registrou R$ 2,8 bilhões em desinvestimentos no período, incluindo vendas das fazendas Preferência e Alto Taquari. O total gasto em aquisições e investimentos chegou a R$ 1,7 bilhão, com o portfólio avaliado em R$ 3,1 bilhões. Guillaumon enfatizou o crescimento histórico da empresa, que começou com um cheque inicial de R$ 580 milhões.
A companhia planeja priorizar suas origens, focando em aquisição, desenvolvimento e venda de propriedades, em detrimento de receitas de trading de produtos como grãos, algodão, cana e pecuária. A meta do conselho é vender cerca de 10% do portfólio anualmente, girando em média R$ 300 milhões por ano, com variações conforme o ciclo.
Zerbinati descreveu a estratégia como uma “boutique de M&A”, exigindo paciência para aguardar condições ideais. A empresa mantém a tese de comprar quando todos vendem e vender quando todos compram, garantindo dividendos e resultados recorrentes independentemente dos ciclos econômicos.