O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sábado , 25 abril 2026
Início Agricultura Justiça do RS suspende proibição de herbicida em meio a embate entre agricultura e meio ambiente
Agricultura

Justiça do RS suspende proibição de herbicida em meio a embate entre agricultura e meio ambiente

124

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) suspendeu provisoriamente a decisão que proibia o uso do herbicida 2,4-D em áreas da Campanha Gaúcha e em regiões próximas a pomares de maçã e vinhedos. A medida foi tomada na última quinta-feira (25) pelo desembargador Francesco Conti, da 4ª Câmara Cível, em resposta a um recurso apresentado pelo governo estadual. Essa suspensão atende a uma sentença anterior da Vara Regional do Meio Ambiente, que determinava a proibição até a implementação de um sistema efetivo de monitoramento e fiscalização.

A proibição inicial do 2,4-D foi solicitada por entidades ligadas à fruticultura, como a Associação Gaúcha de Produtores de Maçã e a Associação de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha. Essas organizações alegaram que a deriva do produto, causada pelo deslocamento pelo vento, resulta em prejuízos ambientais e econômicos para culturas sensíveis. Por outro lado, o governo estadual argumentou que a decisão judicial poderia gerar efeitos negativos para o setor agrícola, especialmente por ocorrer às vésperas do plantio da safra 2025/26.

Representantes de produtores de grãos manifestaram preocupação após a proibição inicial, destacando que muitos já haviam adquirido insumos e equipamentos baseados em manejos que incluem o uso do 2,4-D. A suspensão provisória visa evitar impactos econômicos imprevisíveis, considerando o planejamento agrícola de longo prazo, que envolve compras antecipadas de sementes, fertilizantes e defensivos.

Na fundamentação da decisão, o desembargador Francesco Conti enfatizou a complexidade do caso, que abrange interesses econômicos, ambientais e sociais. Ele apontou falhas na sentença anterior, como a falta de clareza sobre quais municípios integram a Campanha Gaúcha, o que poderia gerar insegurança jurídica. Conti determinou que a suspensão permaneça até o julgamento definitivo do recurso, quando o mérito será analisado de forma detalhada pelo colegiado da 4ª Câmara Cível, incluindo as responsabilidades do Estado e possíveis medidas de fiscalização.

Nos próximos dias, o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) deve ingressar no processo como amicus curiae, com o objetivo de colaborar com informações técnicas e jurídicas em apoio aos fruticultores, especialmente aos vitivinicultores da Campanha Gaúcha. Além disso, o instituto elaborou uma minuta de notificação extrajudicial para que seus associados a enviem a vizinhos, solicitando a não aplicação do herbicida e informando sobre riscos à saúde humana e danos potenciais às oliveiras.

Em nota, o diretor jurídico do Ibraoliva, Jorge Buchabqui, explicou que a entrada da entidade no processo é uma medida preventiva para evitar prejuízos e ações judiciais. Segundo ele, cada associado pode adaptar o modelo às condições locais, reduzindo riscos e prevenindo conflitos futuros. Buchabqui mencionou que já há olivicultores que ingressaram com ações contra vizinhos devido ao uso do produto.

Relacionadas

Pesquisa da Unesp revela aumento de até 30% no valor do chocolate amazônico com processamento adequado

Descubra como pesquisa da Unesp mostra que processamento adequado eleva o valor...

Expiração de patente da Bayer reacende disputa bilionária por royalties na soja

Expiração da patente da Bayer reacende disputa bilionária por royalties na soja...

Joaninhas impulsionam controle biológico sustentável nas lavouras brasileiras

Descubra como as joaninhas atuam no controle biológico de pragas nas lavouras...