Com o fim do vazio sanitário nesta terça-feira (30), o plantio da safra 2025/26 de soja no Tocantins começa oficialmente em 1º de outubro. De acordo com a Instrução Normativa nº 12/2023 da Adapec-TO, esse é o período autorizado para a semeadura no estado, que costuma se intensificar a partir do dia 10 de outubro. A medida regulatória visa garantir a sanidade das lavouras e otimizar a produtividade agrícola na região.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a área cultivada no Tocantins alcance 1,56 milhão de hectares, representando um crescimento de 2 a 3% em comparação à safra anterior. A produção projetada é de 5,76 milhões de toneladas, reforçando o papel do estado como um dos principais polos agrícolas do Norte do Brasil. Essa expansão acompanha a tendência nacional, onde a Conab prevê 49 milhões de hectares dedicados à soja, com uma produção total de 177,6 milhões de toneladas, um aumento de 3,6% anual.
Thiago Facco, vice-presidente da Aprosoja Tocantins, destaca a importância da comercialização nesta safra. Ele observa que as margens de lucro estão apertadas, com preços estáveis, tornando essencial um planejamento detalhado na compra de insumos e na venda da produção. Facco também alerta para os impactos do crédito restrito e das condições climáticas, enfatizando que não há margem para erros e que os produtores devem respeitar rigorosamente a janela de plantio.
Cleovan Barbosa, engenheiro agrônomo e inspetor de Defesa Agropecuária da Adapec, ressalta os cuidados necessários para manter a sanidade e a produtividade das lavouras. Ele recomenda o uso de sementes de alto vigor, tratamentos com fungicidas multissítio e sistêmicos, aplicação de inseticidas em casos de risco, inoculação fresca e homogênea, eliminação de tigueras e ajuste de pré-emergentes conforme o solo. Além disso, Barbosa enfatiza a limpeza de máquinas, o descarte correto de restos culturais e o cumprimento das janelas legais como medidas determinantes.
A sanidade da soja no Tocantins depende de um esforço conjunto entre produtores, Aprosoja Tocantins e Adapec, segundo Barbosa. O respeito ao vazio sanitário e à janela de semeadura reduz a presença de inóculos e a pressão de resistência, enquanto a rede de monitoramento, alertas e capacitações elevam a produtividade e fortalecem a reputação do produto tocantinense. Entre os desafios da safra, destacam-se os altos custos de insumos e serviços, a precariedade logística em partes do estado e as dificuldades no acesso ao crédito oficial, com taxas de juros muitas vezes inviáveis.
Por outro lado, as previsões climáticas são otimistas, com influência do fenômeno La Niña podendo trazer bons índices pluviométricos para o Tocantins, o que favorece o desenvolvimento das plantações. Esses fatores combinados indicam um cenário de oportunidades, mas também de necessidade de gestão precisa para superar os obstáculos econômicos e ambientais.