O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,48% em setembro, revertendo a queda de 0,11% observada em agosto, conforme dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (9). Com isso, a inflação acumula 3,64% no ano e atinge 5,17% nos últimos 12 meses, superando a variação de 0,44% registrada em setembro do ano anterior. O resultado reflete pressões em setores administrados, o que pode influenciar decisões do Banco Central em meio a um cenário de volatilidade econômica.
O grupo Habitação foi o principal driver da alta mensal, com variação de 2,97% e impacto de 0,45 ponto percentual no índice geral. A energia elétrica residencial, que saltou de uma queda de 4,21% em agosto para uma alta de 10,31% em setembro, contribuiu com 0,41 ponto percentual, sendo o item de maior influência individual. De acordo com Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, esse movimento decorre do fim do Bônus de Itaipu, que oferecia descontos em agosto, e da permanência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, adicionando R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. No acumulado do ano, a energia elétrica subiu 16,42%, e em 12 meses, 10,64%, marcando a maior alta para o grupo Habitação em setembro desde 1995.
Outros grupos também apresentaram variações relevantes. Despesas pessoais subiram 0,51%, impulsionadas por pacotes turísticos (2,87%) e ingressos para cinema, teatro e concertos (2,75%), enquanto Vestuário avançou 0,63%. O setor de Transportes permaneceu praticamente estável em 0,01%, com alta nos combustíveis como etanol (2,25%), gasolina (0,75%) e diesel (0,38%), contrabalançada pela queda no gás veicular (-1,24%). Em contrapartida, Alimentação e bebidas registraram deflação de 0,26%, a quarta consecutiva, com recuos em itens como tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%), batata-inglesa (-8,55%) e arroz (-2,14%), apesar de altas em frutas (2,40%) e óleo de soja (3,57%).
Regionais, as variações do IPCA mostraram disparidades: São Luís liderou com 1,02%, puxada pela energia elétrica (27,30%) e café moído (4,31%), enquanto Salvador teve a menor taxa, de 0,17%, influenciada por quedas no tomate (-20,08%) e seguro voluntário de veículos (-6,36%). O índice de difusão, que indica o percentual de itens com aumento de preços, caiu de 57% em agosto para 52% em setembro. Gonçalves observou que, mesmo excluindo a energia elétrica, o IPCA seria positivo em 0,08%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias com rendimentos de até cinco salários mínimos, avançou 0,52% em setembro, acumulando 3,62% no ano e 5,10% em 12 meses. Os não alimentícios subiram 0,80%, enquanto alimentícios recuaram 0,33%. Vitória registrou a maior variação (0,98%), com energia elétrica (12,53%) e gasolina (3,76%), e Salvador a menor (0,16%), por quedas em tomate e higiene pessoal (-0,93%).
A aceleração do IPCA em setembro intensifica as preocupações com a inflação, especialmente por conta de preços administrados como energia e combustíveis, aproximando o acumulado de 12 meses do teto da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, com tolerância de 1,5 ponto percentual. Esse cenário reforça a necessidade de cautela na política monetária, reduzindo o espaço para cortes agressivos na taxa Selic, em um contexto de volatilidade cambial e desafios internacionais. Analistas projetam que a convergência para o centro da meta só ocorrerá em 2026, dependendo do controle sobre preços monitorados e alimentos. O próximo dado, referente a outubro, será divulgado em 11 de novembro.