Compradores chineses se voltam à América do Sul, enquanto analistas alertam para possível lacuna de abastecimento entre fevereiro e abril de 2026
A China não importou soja dos Estados Unidos em setembro, marcando o primeiro mês sem embarques desde novembro de 2018, enquanto aumentou significativamente as compras da América do Sul. A mudança ocorre em meio à disputa comercial contínua entre as duas maiores economias do mundo, com altas tarifas sobre produtos americanos.
Aumento das importações do Brasil e da Argentina
Segundo dados da Administração Geral de Alfândega da China, os embarques do Brasil cresceram 29,9% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 10,96 milhões de toneladas, correspondendo a 85,2% do total importado. As compras da Argentina tiveram alta de 91,5%, totalizando 1,17 milhão de toneladas, ou 9% do total. No geral, a China importou 12,87 milhões de toneladas de soja em setembro, o segundo maior volume já registrado.
Impactos e riscos para o mercado global
Especialistas alertam que, se não houver avanços nas negociações comerciais entre Pequim e Washington, os agricultores americanos podem enfrentar perdas bilionárias, enquanto a China poderá enfrentar uma lacuna de abastecimento entre fevereiro e abril de 2026, antes que as novas safras do Brasil cheguem ao mercado.
“No período de janeiro a setembro, a China importou 63,7 milhões de toneladas do Brasil, alta de 2,4%, e 2,9 milhões da Argentina, aumento de 31,8% em relação ao ano anterior. Mesmo evitando a safra americana deste ano, o acumulado de importações dos EUA totaliza 16,8 milhões de toneladas, alta de 15,5%”, afirma Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting.
Negociações comerciais em foco
Apesar das tensões tarifárias recentes, Pequim e Washington demonstram sinais de retomada das negociações comerciais. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que acredita que um acordo sobre a soja será alcançado, o que poderia alterar o cenário global de importações nos próximos meses.