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sexta-feira , 6 março 2026
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Mercado do boi gordo em alta: exportações e dólar impulsionam otimismo econômico no Brasil

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O mercado do boi gordo no Brasil atravessa uma fase de forte aquecimento em 2025, com valorizações registradas em 32 das 33 praças monitoradas pela Scot Consultoria na primeira quinzena de outubro. Esse cenário positivo é sustentado por uma combinação de fatores, incluindo exportações robustas, um dólar valorizado e um consumo interno em ascensão, especialmente com a proximidade das festas de fim de ano. No entanto, especialistas alertam para possíveis oscilações na segunda quinzena do mês, quando o poder de compra da população tende a diminuir historicamente.

De acordo com o levantamento, apenas Alagoas apresentou uma queda de 0,7% na cotação da arroba, enquanto as demais regiões mostraram ganhos significativos. Destaques incluem Mato Grosso do Sul, com R$ 325 por arroba e variação de +1,56%, São Paulo com R$ 312 e acréscimo de R$ 2, Minas Gerais com R$ 303,24 e +1,64%, Goiás com R$ 300,71 e +1,69%, Mato Grosso com R$ 300 e +1,69%, Rondônia estável em R$ 285,84, Pará com R$ 296,61 e +2,9%, e Tocantins com R$ 295,57 e +1,4%. Para o boi-China, observou-se um ágio de R$ 5 por arroba em relação ao animal comum, com escalas de abate em cerca de oito dias em São Paulo.

As exportações de carne bovina in natura contribuem decisivamente para essa firmeza. Até a segunda semana de outubro, o Brasil exportou 111,9 mil toneladas, um aumento de 13,9% em comparação a outubro de 2024. O preço médio por tonelada subiu 19,1%, alcançando US$ 5.551,70, o que gerou uma receita de US$ 621,3 milhões, conforme dados da Secex. A valorização do dólar, que passou de R$ 5,20 para cerca de R$ 5,50, melhora a rentabilidade das vendas externas e sustenta as cotações internas.

No front doméstico, o aquecimento do consumo é impulsionado pela expectativa de entrada do 13º salário, criação de vagas temporárias e as comemorações de fim de ano. Analistas como Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, destacam que frigoríficos menores, com escalas de abate mais curtas, estão mais agressivos nas compras, puxando os preços para cima. Cortes como os dianteiros valorizaram até 2,86%, passando de R$ 17,50 para R$ 18 por quilo, enquanto o quarto traseiro se mantém em R$ 25 por quilo e a ponta de agulha em R$ 17 por quilo.

No mercado futuro da B3, os contratos para novembro de 2025 atingiram R$ 325,30 por arroba, com alta de 0,53% no dia 16 de outubro, refletindo uma tendência de estabilidade com viés de alta, especialmente em estados exportadores. Apesar do otimismo, Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, recomenda cautela para a segunda quinzena de outubro, período em que a demanda interna pode enfraquecer. Para os bovinos destinados à exportação, o cenário permanece favorável, com perspectivas de continuidade na valorização.

Em resumo, o setor de pecuária de corte demonstra resiliência, beneficiado por um ambiente externo favorável e estímulos internos sazonais, mas requer monitoramento atento para evitar surpresas em um período de transição.

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