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China exige mais sustentabilidade do agronegócio brasileiro

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O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, alertou que a China está aumentando suas preocupações ambientais em relação aos produtos agropecuários importados. Em evento realizado nesta terça-feira (21/10) em Brasília, ele enfatizou a necessidade de o Brasil adotar selos e certificados que comprovem práticas sustentáveis, especialmente na cadeia de produção de proteína animal.

Durante a abertura do seminário sobre o comércio sino-brasileiro de carne bovina, promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Augustin destacou que padrões internacionais já existem para commodities como soja e algodão. No entanto, ele defendeu a urgência de desenvolver mecanismos semelhantes para a pecuária, considerando que o Brasil é o principal fornecedor de carne bovina para os chineses.

Augustin criticou a rigidez do poder público, afirmando que ele é “engessado” e depende de parcerias com a iniciativa privada para promover boas práticas no campo e comprovar sua efetividade. “Temos que mostrar, ter selo, competência e ser reconhecido pelo trabalho. Não adianta ter o melhor código florestal do mundo se nosso CAR [Cadastro Ambiental Rural] não funciona. Tem que ter a prova, senão fica vazio”, declarou ele no evento.

O assessor apontou para um mercado em expansão para produtos sustentáveis e mencionou o envolvimento no programa Caminho Verde Brasil, que visa dobrar a produção agrícola em dez anos. “Temos mercado para isso, mas temos que suprir esse mercado com grau alto de sustentabilidade. É uma missão nossa, do Brasil, privilegiar esses selos, fazer promoção internacional e não simplesmente colocar um produto no mercado, temos que colocar um produto superior em termos de sustentabilidade”, acrescentou Augustin.

Ele revelou que 50% da carne bovina consumida na China provém do Brasil e defendeu que essa dependência comercial é mútua e benéfica. “Dizem que temos que ter cuidado para não ser dependentes da China, mas a China também é dependente do Brasil. É uma dependência mútua, não é problema é solução”, explicou.

Augustin observou que os Estados Unidos estão recuando na liderança ambiental global, abrindo espaço para a China assumir esse papel. “Pensamos que China não se importa com meio ambiente e sim com preço, mas é visível a preocupação”, disse ele, defendendo o desenvolvimento de um selo internacional para a carne bovina.

O assessor elogiou a iniciativa do Imaflora, que lançou no mesmo dia o Beef on Track (BoT), uma certificação para carne produzida sem desmatamento. Ele sugeriu que medidas como financiamentos com descontos para produtores sustentáveis e prêmios no preço da carne podem incentivar boas práticas na cadeia pecuária.

Augustin concluiu que pequenas diferenciações de preço podem atuar como indutores para a adoção de modelos mais responsáveis. “Se for possível influir para que haja pequena diferenciação de preço, isso é indutor”, afirmou, reforçando a importância de o Brasil se posicionar como líder em sustentabilidade no agronegócio global.

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