Safra 2025/26 está abaixo da média histórica, mas expectativa é de retomada das compras chinesas e valorização dos prêmios brasileiros.
Plantio abaixo da média e desafios climáticos
O plantio da safra 2025/26 de soja segue em ritmo mais lento que o habitual no Brasil. De acordo com dados da Conab, apenas 11,1% da área prevista foi semeada até o momento, número inferior à média dos últimos cinco anos. O Mato Grosso enfrenta falta de chuvas, enquanto o Rio Grande do Sul lida com excesso de umidade — fatores que atrasam o início da safra.
Em contrapartida, estados com áreas irrigadas, como Goiás, Minas Gerais e São Paulo, apresentam melhor desempenho, com avanço nas lavouras. No Norte e Nordeste, o aumento da umidade do solo favoreceu o progresso em Tocantins e Pará, que já mostram bom ritmo de plantio.
Estados Unidos colhem com ritmo acelerado
Enquanto o Brasil semeia com lentidão, os Estados Unidos avançam rapidamente na colheita da soja, que já alcança cerca de 30% da área projetada, apoiada por condições climáticas mais secas e quentes. Segundo o USDA, 62% das lavouras norte-americanas são classificadas como boas ou excelentes, reforçando o potencial produtivo da safra.
Oscilações nos preços e influência cambial
Mesmo com o cenário de alta oferta global, os contratos futuros da soja registraram comportamento misto. Na Bolsa de Chicago, o contrato para agosto de 2025 subiu 1,39%, cotado a US$ 10,21 por bushel, enquanto o de março de 2026 recuou 1,33%, para US$ 10,38. No Brasil, os preços físicos mostraram leve valorização, sustentados pelos prêmios portuários e pela desvalorização do dólar, que encerrou a semana a R$ 5,41.
China em foco: oportunidades para o Brasil
A China continua sendo o principal ponto de atenção do mercado. Segundo a Grão Direto, as margens de esmagamento permanecem positivas e as indústrias operam com alta capacidade, embora os estoques recordes tenham excedido a capacidade logística dos portos.
A expectativa é que esse excesso seja temporário e que, nas próximas semanas, o país volte a intensificar as importações de soja, beneficiando o Brasil, seu maior fornecedor. No entanto, uma eventual reaproximação comercial entre China e Estados Unidos poderia reduzir os prêmios brasileiros e mudar o equilíbrio atual.