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sexta-feira , 6 março 2026
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Queda nos fretes de grãos sinaliza fim de safras e impactos de tensões comerciais globais

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Os preços do transporte de grãos registraram reduções em importantes rotas brasileiras durante setembro, conforme o Boletim Logístico de outubro divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta sexta-feira (24). Essa tendência acompanha o encerramento do escoamento das principais safras, com menor demanda por serviços de logística em estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Minas Gerais. A análise da Conab destaca que fatores sazonais e operacionais contribuíram para o arrefecimento dos valores, refletindo o ciclo agrícola anual.

Em Goiás, a queda nos fretes segue o padrão histórico sazonal, marcado por uma redução na demanda de transporte após o pico das colheitas. No Distrito Federal, além da desaceleração pós-colheita da segunda safra de milho, influências como custos operacionais e preços de combustíveis ajudaram a baixar as tarifas. Já no Mato Grosso do Sul, a Conab observou um arrefecimento gradual na procura por caminhões de curta distância, impulsionado pelo fim do escoamento de milho na segunda quinzena do mês, embora o mercado interno permaneça ativo.

Por outro lado, rotas na Bahia e no Mato Grosso apresentaram variações regionais. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), os preços mantiveram estabilidade devido ao equilíbrio entre oferta e demanda de transporte para grãos e fibras. Em Paripiranga, houve aumento motivado pela maior demanda de milho para destinos como Vitória (ES), Recife (PE) e Feira de Santana (BA). Na região de Irecê, as cotações caíram com o término da safra e a consequente diminuição na procura por serviços logísticos. No Mato Grosso, o mercado de fretes rodoviários exibiu um comportamento lateral, com algumas rotas registrando aumentos moderados e outras declínios, sem uma tendência clara.

No Piauí, os valores dos fretes permaneceram próximos da estabilidade, com movimentações regulares de grãos, mas com menor intensidade em relação aos meses anteriores. Em contraste, estados como Maranhão, Paraná e São Paulo viram aumentos nos preços de frete agrícola. No Maranhão, a alta média foi de 5%, impulsionada pela demanda de transporte de milho para uma biorrefinaria de etanol em Balsas, além de granjas e indústrias no Nordeste.

No Paraná, a procura por fretes superou a de agosto, elevando os preços em quase todas as praças, exceto Ponta Grossa. Em São Paulo, o aumento foi atribuído à maior demanda internacional por produtos brasileiros, influenciada por tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que alteraram fluxos logísticos globais.

As exportações de milho em setembro totalizaram 23,3 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 24,3 milhões registradas no mesmo período de 2024. Os portos do Arco Norte responderam por 42,5% do volume, seguidos por Santos (30,7%), Paranaguá (11,7%) e São Francisco do Sul (9,5%).

Já as exportações de soja em grãos de janeiro a setembro de 2025 alcançaram 89,5 milhões de toneladas, contra 93,8 milhões no ano anterior. Os portos do Arco Norte representaram 37,5% das exportações nacionais, com Santos em 34,2%, Paranaguá em 12,9% e São Francisco do Sul em 5,2%.

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