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Desertificação atinge 95% do Rio Grande do Norte e ameaça colapsar a produção agropecuária

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Sudene alerta que 95% do território potiguar apresenta risco de desertificação; degradação ambiental já compromete a agricultura, a pecuária e a segurança hídrica no semiárido

O Rio Grande do Norte enfrenta uma crise ambiental sem precedentes: 95% do território do estado apresenta risco de desertificação, segundo diagnóstico da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O fenômeno, impulsionado por mudanças climáticas e práticas humanas insustentáveis — como desmatamento, uso inadequado do solo e exploração predatória dos recursos naturais —, tem provocado impactos diretos sobre a agricultura, a pecuária e o abastecimento de água.

Um levantamento da Sudene, divulgado no Boletim Temático Desertificação, revela que 22 municípios potiguares figuram entre os 100 mais afetados do Nordeste, com índices severos de degradação. Em localidades como Bom Jesus, Passa e Fica e Vera Cruz, mais de 70% das áreas apresentam desertificação crítica, com solos empobrecidos e perda acentuada da capacidade produtiva. </div>


Efeitos severos sobre a agricultura e a pecuária

A desertificação tem comprometido a produção agrícola e a criação de animais, sobretudo entre pequenos e médios produtores. José Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), alerta para o agravamento da crise no campo:

“A escassez de água acelera a degradação das áreas produtivas e coloca em risco sistemas tradicionais de produção. É preciso ação coordenada para manter a atividade agropecuária viável e sustentável”, afirmou.

Para enfrentar o problema, o Sistema Faern/Senar-RN promove ações de assistência técnica e manejo sustentável. Atualmente, 5 mil produtores rurais em 163 municípios recebem orientações sobre gestão hídrica e conservação do solo. Nos últimos cinco anos, mais de 150 mil visitas técnicas foram realizadas diretamente nas propriedades. </div>


Políticas públicas e novas estratégias de combate

O Governo do Estado do Rio Grande do Norte tem ampliado as políticas de mitigação e adaptação aos efeitos da desertificação. A Política Estadual de Combate e Prevenção à Desertificação, instituída pela Lei nº 10.154/2017, e a criação do Fundo Estadual de Desertificação — o primeiro do país — visam financiar projetos de recuperação de áreas degradadas e promover a adaptação às mudanças climáticas.

Segundo Robson Henrique, coordenador da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), o estado também investe em monitoramento climático e obras estruturantes. Entre os principais projetos estão o Complexo Hidrossocial da Barragem Oiticica, o Projeto Seridó Norte e a chegada das águas do Rio São Francisco ao Seridó, fundamental para garantir o abastecimento e reduzir os efeitos da estiagem. </div>


Ações regionais e integração com a Sudene

A Sudene coordena a atualização dos Planos Estaduais de Ação de Combate à Desertificação (PAE) em todo o Nordeste, incluindo o Rio Grande do Norte. O coordenador de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente da autarquia, Victor Uchôa, reforça que o enfrentamento exige envolvimento comunitário e gestão integrada:

“Mais do que um problema ambiental, a desertificação é um desafio socioeconômico. Ela compromete o desenvolvimento sustentável e intensifica a pobreza rural”, afirmou Uchôa.

Além do planejamento estratégico, a Sudene apoia projetos de convivência com o semiárido, como o cultivo de palma forrageira resistente à cochonilha e o incentivo à caprinovinocultura sustentável, práticas essenciais para a resiliência das comunidades rurais.


Perspectivas: ciência e sustentabilidade como aliadas

Para especialistas, o avanço da desertificação exige união entre ciência, políticas públicas e práticas sustentáveis. A adoção de tecnologias de manejo do solo, a recomposição vegetal com espécies nativas e o uso eficiente da água são caminhos para reverter parte dos danos.

Com articulação entre governos, produtores e instituições de pesquisa, o Rio Grande do Norte pode transformar a luta contra a desertificação em um exemplo de gestão sustentável no semiárido brasileiro.

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