Companhia norte-americana de agroquímicos enfrenta queda de 49% na receita e forte desvalorização das ações após divulgar resultados abaixo das expectativas.
Queda expressiva nos resultados financeiros
A FMC Corporation, uma das principais fabricantes globais de produtos químicos para a agricultura, registrou um prejuízo líquido de US$ 569,3 milhões no terceiro trimestre de 2025, revertendo o lucro de US$ 65 milhões obtido no mesmo período do ano anterior. A receita despencou 49%, totalizando US$ 542,2 milhões, bem abaixo das projeções de mercado que estimavam cerca de US$ 1,07 bilhão.
A empresa atribuiu a queda a ajustes estratégicos em suas operações na Índia, que está em processo de venda, além de um cenário global marcado por forte concorrência de genéricos e restrições de crédito em países da América Latina, como Brasil e Argentina.
Pressão sobre o mercado e impacto nas ações
Mesmo com lucro ajustado por ação (LPA) de US$ 0,89 — acima da expectativa de US$ 0,86 —, o mercado reagiu negativamente aos resultados. As ações da FMC despencaram 43% nas negociações pré-mercado, cotadas a US$ 21,45, refletindo a preocupação dos investidores com a sustentabilidade financeira da empresa.
O CEO Pierre Brondeau destacou que o momento exige reestruturação e foco em eficiência. “Estamos redefinindo nossa estrutura de fabricação e direcionando esforços para o desenvolvimento de novos ingredientes ativos até 2028”, afirmou.
Desempenho regional
A América do Norte foi o único destaque positivo, com crescimento de 4% nas vendas. Já na América Latina, o recuo foi de 8%, impactado pela baixa liquidez dos clientes e pela pressão de preços causada pelos genéricos. A Ásia, excluindo a Índia, apresentou retração de 47%, enquanto Europa, Oriente Médio e África registraram alta de 11%.
Perspectivas e estratégias futuras
A empresa revisou para baixo suas projeções anuais, prevendo lucro ajustado entre US$ 2,92 e US$ 3,14 por ação e receita entre US$ 3,92 bilhões e US$ 4,02 bilhões. A FMC também anunciou medidas de redução de custos e racionalização de operações, além da diminuição de dividendos como parte de sua estratégia de estabilidade financeira até 2028.
O CFO Andrew Sandifer reforçou que “todo o fluxo de caixa livre gerado será direcionado para o pagamento de dívidas”, em uma tentativa de restaurar o grau de investimento e a confiança do mercado.