O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Pecuária Pecuaristas do Mato Grosso buscam reverter imagem negativa da pecuária brasileira
Pecuária

Pecuaristas do Mato Grosso buscam reverter imagem negativa da pecuária brasileira

81

Um grupo de 74 pecuaristas do Mato Grosso, reunidos sob o slogan “Carne do Futuro”, está implementando práticas de agricultura regenerativa e sistemas de controle para elevar o valor da produção de carne bovina no estado. Juntos, eles gerenciam cerca de 200 mil cabeças de gado destinadas ao abate, o que representa quase 0,1% do rebanho nacional, estimado em 220 milhões de cabeças. O objetivo é expandir para 300 mil cabeças no próximo ano, com foco em mudar a percepção ambiental sobre a pecuária local, ainda marcada pelo modelo extensivo em pastos.

Luciano Resende, liderança e porta-voz do grupo, explica que a iniciativa, criada há sete meses, visa quebrar estereótipos que ligam a pecuária brasileira a danos ambientais. “Nossa missão é difundir informações sobre as boas práticas e tecnologias que promovem a sustentabilidade, com base em fatos e dados”, afirma Resende. O grupo busca comunicar de forma mais eficiente a responsabilidade dos produtores, destacando avanços que contrariam narrativas negativas.

Uma das principais bandeiras é a rastreabilidade completa, que já atinge 85% dos pecuaristas participantes. Resende defende que, se os frigoríficos viabilizarem a inclusão de informações sobre origem e histórico na embalagem, isso geraria engajamento com a população e agregaria valor à carne brasileira no exterior. O foco é levar ao consumidor detalhes como o modelo de produção, uso de antibióticos ou vacinas e a pegada de carbono da carne.

Por enquanto, o movimento atua mais como uma frente de comunicação do que como uma entidade formal, mantendo independência total. No entanto, há interlocuções com associações do setor, como a Abiec (Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina) e a CNA (Confederação Nacional da Agricultura). Em setembro, o grupo recebeu um convite da CNA para apresentar suas operações em um evento em Belo Horizonte.

A medição de carbono na atividade considera emissões dos animais, responsáveis por 17% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, além de maquinários e processos. Ao mesmo tempo, contabiliza o sequestro de carbono pelo solo via plantas. Parcerias com empresas de nutrição de pastos e monitoramento por drones permitem otimizar o uso de fertilizantes e defensivos, determinando o melhor momento para pastagem em áreas específicas.

Essas práticas aumentam a produtividade e reduzem o emprego de químicos com alta emissão de gases de efeito estufa. Resende enfatiza a necessidade de o Brasil melhorar sua comunicação sobre exemplos positivos. Ele cita a visita recente de um grande comprador chinês de carne, que admitiu ter uma imagem distorcida do produtor brasileiro antes de conhecer as operações locais.

Relacionadas

Câmara aprova indenização a produtores rurais por falhas no fornecimento de energia

Câmara aprova proposta que garante indenização a produtores rurais por falhas no...

Câmara aprova lei que restringe uso da palavra leite a produtos de origem animal

Câmara dos Deputados aprova projeto de lei que restringe o termo 'leite'...

Touro Nelore Backup: legado de 1 milhão de doses de sêmen revoluciona pecuária brasileira

Conheça o legado do touro Nelore Backup, que produziu mais de 1...

Produtor de Tocantins perpetua legado familiar na soja desde 1984

Descubra a história inspiradora de Renato Zandoná, produtor de soja em Caseara,...