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sexta-feira , 6 março 2026
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Bonança na pecuária: preços da arroba em alta para 2025, mas alerta para escassez futura

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Especialistas projetam um cenário de lucratividade robusta para a pecuária de corte brasileira em 2025, com preços da arroba do boi gordo estabilizados em níveis historicamente elevados. No entanto, o aumento no abate de fêmeas desde 2024 levanta preocupações sobre uma possível explosão nos custos de reposição a partir de 2026, o que poderia comprometer a margem dos produtores. A demanda interna resiliente e as exportações recordes, especialmente para a China, sustentam os patamares atuais, mas o setor enfrenta nuvens no horizonte.

No primeiro trimestre de 2025, os preços superaram frequentemente a marca de R$ 320,00 por arroba em estados do Centro-Oeste, impulsionados pela entressafra e pela forte demanda internacional. A zootecnista e consultora de mercado Dra. Ana Lúcia Mendes destaca que o rebanho ajustado, custos de produção estáveis e o apetite do mercado externo criaram um ambiente favorável para preços firmes. Esse período foi marcado por um aquecimento significativo no mercado.

A partir do segundo trimestre, houve uma correção nos preços, com a oferta de animais terminados aumentando ao fim da entressafra e embargos temporários em importadores menores gerando volatilidade. Segundo Mendes, os valores oscilaram entre R$ 290,00 e R$ 310,00 por arroba na maior parte do ano, mantendo-se em níveis lucrativos para os pecuaristas. Essa ajuste foi considerado necessário e saudável para o equilíbrio do mercado.

O ponto de maior preocupação é o abate massivo de fêmeas, que superou 40% do total desde o segundo semestre de 2024, alcançando picos de 43% em 2025, conforme dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e da Associação dos Frigoríficos (ABRAFRIGO). O economista Carlos Eduardo Brant explica que percentuais acima de 41% indicam descapitalização do rebanho, sacrificando o futuro para ganhos imediatos, já que cada vaca abatida significa menos bezerros no campo.

Brant projeta uma escassez significativa de bezerros e animais para recria a partir do segundo semestre de 2026, com aumentos de 30% a 40% nos preços de reposição. Isso poderia comprimir as margens dos produtores sem ciclo completo e, ironicamente, derrubar os preços do boi gordo no médio prazo ao inviabilizar a terminação de animais.

Para novembro de 2025, espera-se uma valorização de 5% a 8% na arroba em relação a outubro, podendo retestar R$ 320,00, devido às chuvas regulares que facilitam o confinamento a pasto e à preparação dos frigoríficos para as festas de fim de ano. O analista João Silva, da Scot Consultoria, nota que a oferta imediata se contrai, sustentando a alta sazonal.

Dezembro deve manter preços firmes, impulsionados pelo aumento no consumo doméstico durante Natal e Ano-Novo, com churrascos e ceias elevando a demanda. Mendes finaliza que o mês representa o fechamento positivo do ciclo anual, embora os pecuaristas precisem planejar para os desafios futuros.

Apesar do otimismo de curto prazo, riscos como embargos sanitários ou político-diplomáticos, especialmente da China, pairam sobre o setor. Brant adverte que uma suspensão de compras por um grande importador poderia causar excesso de oferta no mercado interno, levando a quedas de 15% a 20% nos preços da arroba em poucas semanas.

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