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Disputa pelo IICA revela fissuras no Mercosul e ambições agrícolas na América

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A corrida pela direção-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) para o período 2026-2030 expõe divisões entre países sul-americanos, com implicações para o multilateralismo, sustentabilidade e segurança alimentar no continente. Dois candidatos disputam o cargo: o uruguaio Fernando Mattos e o guianense Muhammad Ibrahim. A eleição ocorrerá na próxima terça-feira (4/11), durante a Conferência dos Ministros da Agricultura das Américas, em Brasília.

O Brasil, embora não tenha oficializado sua posição, deve apoiar Mattos, conforme fontes próximas ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. O objetivo é fortalecer o protagonismo do setor produtivo sul-americano e posicionar o Mercosul de forma estratégica no debate global sobre produção e segurança alimentar. O Conselho Agropecuário do Sul (CAS) decidiu em fevereiro apoiar o ex-ministro uruguaio, mas o bloco não está unido: o Paraguai optou por Ibrahim, influenciado por um revés recente na Organização dos Estados Americanos (OEA).

Ibrahim surge como favorito, com apoio dos 14 países da Comunidade do Caribe (Caricom), México, Paraguai, e sinalizações de Equador e Peru. Para vencer, um candidato precisa de 17 votos entre os 32 países votantes, excluindo Nicarágua e Venezuela. Os Estados Unidos sinalizaram suporte a Ibrahim na última quinta-feira (30/10), via repostagem de uma mensagem dele pelo Foreign Agricultural Service (FAS) do Departamento de Agricultura americano. A Argentina, sem declaração oficial, tende a apoiar Mattos, mas há possibilidade de alinhamento com Washington.

Fernando Mattos, engenheiro agrônomo com nacionalidade brasileira e ex-ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, enfatiza equilibrar experiência técnica e política para modernizar o IICA. Ele planeja quadruplicar os recursos anuais em projetos para US$ 1 bilhão, focando em tecnologia e extensão rural. Muhammad Ibrahim, engenheiro agrônomo com doutorado e 35 anos de experiência, incluindo passagem pelo IICA e direção do Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (Catie), reivindica apoio de 25 países e é visto como sucessor natural do atual diretor, Manuel Otero.

O IICA, fundado há 83 anos com sede na Costa Rica, atua em 34 países membros da OEA, promovendo desenvolvimento agrícola por meio de projetos em tecnologia, sanidade agropecuária e bioeconomia. Com orçamento anual de US$ 33 milhões e carteira de US$ 1 bilhão, o instituto ganha relevância em tempos de crise multilateral, especialmente para nações dependentes de cooperação em resiliência climática e produção local. A disputa acirrada reflete a importância do órgão para países vulneráveis, onde o acesso a recursos pode ser vital para a segurança alimentar.

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