A subsidiária da JBS, Seara, concluiu recentemente uma emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) que totalizou R$ 3 bilhões, com vencimentos que se estendem até 40 anos. Essa operação demonstra o crescente apetite dos investidores brasileiros por títulos de longo prazo, especialmente em um contexto de busca por estabilidade financeira no setor agropecuário.
Do montante total levantado, R$ 2 bilhões foram alocados na série com o prazo mais extenso, de 40 anos, impulsionada principalmente pela demanda de fundos de pensão e tesourarias, conforme apurado por fontes do mercado. Essa preferência por investimentos de longo prazo reflete uma confiança renovada no agronegócio brasileiro, mesmo em meio a flutuações econômicas.
Com essa emissão, a Seara superou seu próprio recorde anterior, estabelecido em fevereiro deste ano, quando captou R$ 800 milhões em CRAs com vencimento de até 30 anos. A nova operação reforça a posição da empresa como pioneira em dívidas de prazos estendidos no mercado nacional, abrindo precedentes para outras companhias do setor.
Os CRAs foram divididos em quatro séries distintas. A série de 40 anos oferece remuneração de IPCA mais 8,03% ao ano, atraindo o maior volume de recursos. Já a série com vencimento em 20 anos, que captou R$ 543,2 milhões, remunera IPCA mais 7,62% ao ano, enquanto a de 10 anos, com R$ 460,6 milhões, paga IPCA mais 7,59%.
Além dessas, a Seara emitiu uma série pré-fixada com variação cambial mais 5,3% ao ano e vencimento em 10 anos, que levantou R$ 21,3 milhões. A operação foi estruturada pela Eco Securitizadora e direcionada exclusivamente a investidores qualificados, garantindo conformidade com as normas regulatórias do mercado de capitais brasileiro.
Essa movimentação financeira ocorre em um momento em que o governo busca incentivar investimentos no agronegócio por meio de instrumentos como os CRAs, que são isentos de imposto de renda para pessoas físicas e oferecem atrativos para o financiamento de longo prazo no setor.