O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Economia Crise no crédito rural expõe vulnerabilidades econômicas no agronegócio brasileiro
Economia

Crise no crédito rural expõe vulnerabilidades econômicas no agronegócio brasileiro

123

A escassez de crédito e a falta de liquidez no setor agropecuário têm sido temas recorrentes em discussões recentes, e agora dados concretos do Banco Central confirmam a gravidade da situação. O relatório mensal de crédito, divulgado na semana passada, revela uma queda acentuada nos empréstimos para produtores rurais pessoas físicas. Em setembro, o volume de empréstimos a taxas de mercado para essa categoria totalizou R$ 6,8 bilhões, representando uma redução de 40% em comparação ao mesmo mês de 2024.

No panorama geral, que inclui tanto empréstimos a taxas de mercado quanto aqueles com taxas reguladas, a queda foi de 11%, passando de R$ 28,9 bilhões em setembro de 2024 para R$ 25,7 bilhões no mesmo período deste ano. Além da diminuição no volume, os custos dos financiamentos também aumentaram. Os produtores pagaram uma taxa média de 14,8% nos empréstimos a taxas de mercado, contra 13,1% no ano anterior, um reflexo direto do aumento da Selic.

A inadimplência surge como um fator central nessa crise. Para os empréstimos a taxas de mercado destinados a pessoas físicas, o índice saltou de 3,4% em setembro de 2024 para 10% em setembro deste ano. Mesmo ao considerar os recursos subsidiados, o aumento é significativo, de 2,2% para 5,4%. Essa deterioração pode explicar, em parte, a reticência das instituições financeiras em liberar mais recursos.

O volume de recuperações judiciais (RJs) tem assombrado o setor bancário. Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do Banco do Brasil, destacou em entrevista à Bloomberg que o banco possui R$ 5,4 bilhões em empréstimos paralisados devido a RJs, com dois terços desses clientes sem histórico de inadimplência. O Banco do Brasil, responsável por mais de 60% do financiamento ao crédito rural e com uma carteira de R$ 404 bilhões para o agronegócio, viu sua inadimplência subir para 3,5% no final de junho, um aumento de 2,2 pontos percentuais em um ano.

Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios do Santander, também apontou para a alta alavancagem do setor como justificativa para a redução nos empréstimos, em entrevista ao Money Times. Essa crise difere de outras anteriores, segundo os executivos, e reflete desafios estruturais no financiamento rural.

Em contraste, o cenário para pessoas jurídicas (PJs) é mais favorável. O volume de empréstimos rurais para empresas alcançou R$ 10,2 bilhões em setembro, um aumento em relação aos R$ 7,5 bilhões do ano anterior. Embora as taxas de mercado tenham subido de 12,6% para 14,1%, a inadimplência permanece controlada, em 0,6% no geral e 0,8% para taxas de mercado, contra 0,4% e 0,5% respectivamente em 2024.

O saldo total das operações de crédito rural em setembro somou R$ 542 bilhões para pessoas físicas e R$ 99,4 bilhões para PJs, destacando a disparidade entre os segmentos. Essa dinâmica pode influenciar políticas econômicas, especialmente em um setor vital para a economia brasileira.

Relacionadas

MBRF e JBS expandem apostas no Oriente Médio em meio à guerra no Irã

MBRF e JBS ampliam presença no Oriente Médio com aquisições e parcerias...

Alfa Participações vende operações da Agropalma no Pará ao Grupo Daabon

Alfa Participações anuncia venda das operações da Agropalma no Pará ao Grupo...

Câmara aprova lei que restringe uso da palavra leite a produtos de origem animal

Câmara dos Deputados aprova projeto de lei que restringe o termo 'leite'...

Exportações do agronegócio de São Paulo para China crescem 167% e atingem US$ 3,7 bi em 2023

Exportações do agronegócio paulista para a China saltaram 167% em 2023, atingindo...