O mercado de boi gordo no Brasil continua apresentando preços firmes, com o Indicador do Boi Datagro registrando uma média de R$ 322,73 por arroba nesta quinta-feira (6) em São Paulo. Essa estabilidade reflete um cenário positivo para os produtores, impulsionado por fatores como a demanda externa e a manutenção de escalas de abate confortáveis.
De acordo com a analista de mercado da consultoria Datagro, Isabela Ingracia, as escalas de abate na praça paulista estão próximas a 10 dias corridos, o que indica uma oferta controlada e sem pressões imediatas para reduções de preço. Essa dinâmica contribui para a sustentação dos valores elevados observados no setor pecuário.
A grande novidade veio dos dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que revelam que o Brasil exportou mais de 448 mil toneladas equivalentes de carcaça de carne bovina em outubro, marcando um recorde histórico. Esse volume supera todos os registros anteriores e destaca o papel crescente do país como fornecedor global de proteínas.
Isabela Ingracia contextualiza que esse desempenho é resultado de uma maior diversificação de destinos e da preferência crescente por produtos brasileiros. “Nunca foi embarcada tanta quantidade de carne bovina pelo Brasil, fruto de uma maior diversificação de destinos e também dos mercados cada vez mais voltarem ao Brasil como principal fornecedor da proteína”, explica a analista.
Entre os principais compradores, a China se mantém como o destino líder, respondendo por mais de 53% das exportações acumuladas no ano, seguida por Chile, Filipinas, Estados Unidos e México. As compras volumosas da China, especialmente neste final de ano, reforçam as relações comerciais bilaterais e a dependência de mercados asiáticos para o escoamento da produção nacional.
No entanto, um ponto de atenção destacado pela analista são as margens mais pressionadas devido à baixa cotação do dólar. Essa variação cambial tem levado a preços de exportação mais retraídos nos últimos meses, embora ainda se mantenham em patamares elevados em comparação com 2024.
Esse recorde de exportações não apenas beneficia o setor agropecuário, mas também impacta positivamente a balança comercial brasileira, contribuindo para o equilíbrio econômico em um contexto de desafios globais.