Os preços dos animais de reposição e das vacas continuam em elevação nas principais regiões pecuárias do Brasil, de acordo com um levantamento recente do Cepea. Esse movimento de valorização tem ultrapassado o avanço observado nos preços do boi gordo, impulsionado principalmente pelo aumento da demanda por bezerros e pela retenção de fêmeas destinadas à reprodução.
No caso dos bezerros, o maior interesse por parte dos recriadores tem motivado pecuaristas a recompor seus rebanhos. Em Mato Grosso do Sul, estado tradicional na produção dessa categoria, o preço médio do bezerro nelore de até 12 meses atingiu R$ 2.940 por cabeça em novembro, representando uma alta nominal de 14% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Entre as fêmeas, a chegada da primavera e o início da estação de monta contribuem para a redução da oferta de vacas e novilhas disponíveis para o abate. Isso ocorre à medida que cresce a retenção desses animais para fins reprodutivos, o que pressiona os preços para cima.
Ainda em Mato Grosso do Sul, o preço da vaca gorda registrou um aumento de 2,2% entre outubro e novembro, enquanto a cotação do boi gordo avançou 1,6% no mesmo intervalo. Esses dados destacam uma disparidade na valorização, com as fêmeas e os animais de reposição ganhando mais terreno.
De acordo com os pesquisadores do Cepea, o cenário atual reflete um momento de recomposição geral dos rebanhos no país, com expectativas de maior firmeza nos preços da reposição no curto prazo. Essa tendência pode influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda no setor pecuário, afetando a cadeia produtiva como um todo.