Os preços do milho no Brasil mantiveram-se estáveis durante a primeira quinzena de novembro, conforme dados divulgados pela CEEMA. No Rio Grande do Sul, a média registrada foi de R$ 62,52 por saca, refletindo uma tendência de equilíbrio no mercado interno. Nas principais regiões produtoras do país, os valores oscilaram entre R$ 48,00 e R$ 64,00, o que indica uma variação moderada influenciada por fatores regionais de oferta e demanda.
A perspectiva para a nova safra de milho, referente ao ciclo 2025/26, aponta para uma produção estimada entre 138 e 144 milhões de toneladas. Essa projeção, no entanto, está condicionada às condições climáticas, que podem impactar significativamente o rendimento das lavouras. Analistas destacam que o clima será um elemento decisivo para o alcance desses volumes, especialmente em um contexto de variações meteorológicas cada vez mais imprevisíveis.
Dentro dessa estimativa, a safrinha de milho deve atingir 110,5 milhões de toneladas, representando um recuo de 2,5% em comparação ao ciclo anterior. Esse declínio pode ser atribuído a ajustes na área plantada e a desafios operacionais enfrentados pelos produtores. Por outro lado, a safra de verão apresenta um cenário mais otimista, com potencial crescimento para 25,8 milhões de toneladas, o que poderia compensar parte das perdas na safrinha e contribuir para a estabilidade geral da produção nacional.
Apesar das expectativas de aumento na produção total, o ritmo das exportações tem gerado preocupações no setor. Em outubro, o Brasil embarcou 5 milhões de toneladas de milho, mas nos primeiros cinco dias úteis de novembro, o volume diário exportado foi 8,3% inferior ao registrado no mesmo período de 2024. Essa redução sugere possíveis entraves logísticos ou variações na demanda internacional, que afetam o escoamento da safra.
Com as exportações em ritmo mais lento, o consumo interno surge como fator crucial para o equilíbrio do mercado. A indústria de etanol, em particular, tem sido apontada como um dos principais destinos para o milho brasileiro, impulsionando a demanda doméstica. Caso as condições climáticas sejam favoráveis e haja avanço na área destinada à safrinha, os preços do milho tendem a recuar na primeira metade de 2026, o que poderia beneficiar setores dependentes dessa commodity e influenciar dinâmicas econômicas mais amplas.