O mercado do boi gordo no Brasil registrou uma acomodação nos preços nesta semana, mesmo com as escalas de abate nos frigoríficos ainda curtas. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o posicionamento do Ministério da Agricultura e Pecuária foi fundamental para afastar boatos sobre a presença do carrapaticida Fluazuron em carne destinada à China. Esses rumores tiveram um impacto significativo na B3 durante a primeira quinzena de novembro, gerando instabilidade no setor.
Outro aspecto que mantém o mercado em alerta é a investigação conduzida pela China sobre os efeitos das importações brasileiras na produção local. A expectativa é de que os resultados sejam anunciados até 26 de novembro, o que pode influenciar as dinâmicas comerciais entre os dois países. Até lá, os agentes do setor pecuário permanecem atentos a possíveis desdobramentos que afetem as exportações.
No balanço semanal, os preços do boi gordo mostraram estabilidade ou leves altas nas principais praças de comercialização, considerando a modalidade a prazo em 14 de novembro. Em São Paulo, o valor foi de R$ 330,00 por arroba, permanecendo estável. Em Goiás, registrou-se R$ 325,00 por arroba, com alta de 1,56%. Já em Minas Gerais, o preço atingiu R$ 315,00 por arroba, subindo 1,61%. No Mato Grosso do Sul, manteve-se em R$ 330,00 por arroba, enquanto no Mato Grosso e em Rondônia os valores foram de R$ 310,00 e R$ 295,00 por arroba, respectivamente, ambos estáveis.
No mercado atacadista, os preços apresentaram uma alta consistente ao longo da semana, impulsionada pelo aumento do consumo doméstico. Fatores como o pagamento do décimo terceiro salário, a criação de empregos temporários e as confraternizações de fim de ano contribuem para esse cenário. O quarto traseiro do boi foi cotado a R$ 26,00 por kg, com alta de 4%, e o quarto dianteiro a R$ 19,50 por kg, também com aumento de 4%.
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil em novembro, até o momento (com 5 dias úteis), totalizaram US$ 554,034 milhões, com média diária de US$ 110,806 milhões. O volume exportado alcançou 100,536 mil toneladas, com média diária de 20,107 mil toneladas, e o preço médio por tonelada ficou em US$ 5.510,80. Comparado a novembro de 2024, houve crescimento de 89,4% no valor médio diário, 67,5% na quantidade média diária e 13,1% no preço médio, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior.