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Da colonização ao símbolo nacional: a evolução do cavalo Mangalarga Marchador

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A história do cavalo no Brasil remonta a 1549, quando os primeiros equinos chegaram com Tomé de Souza, marcando o início de uma trajetória ligada à ocupação territorial, à pecuária e à formação cultural do país. Trazidos da Península Ibérica, esses animais serviam como meio de trabalho e transporte nas capitanias hereditárias, onde eram criados de forma rudimentar, sem seleção definida, o que levou a uma degeneração gradual de suas características. Apesar disso, eles formaram a base da pecuária colonial, expandindo-se por trilhas e sertões, e até sendo exportados para outras colônias portuguesas.

Com o ciclo do ouro nos séculos XVII e XVIII, surgiu a necessidade de animais mais resistentes para longas distâncias, impulsionando o melhoramento genético. Duas propriedades foram cruciais: a fundada por Garcia D’Ávila, que abastecia o sertão nordestino e contribuía para a expansão pecuária interior adentro, e a de Antônio Guedes de Brito, às margens do Rio São Francisco, fornecendo equinos para tropeiros e colonizadores rumo a Goiás e Mato Grosso. Essas vertentes baiana e nordestina criaram o primeiro tronco genético do cavalo brasileiro, influenciando linhagens que confluiriam no Sul de Minas.

Enquanto o Nordeste expandia seus criatórios, o Sul também recebia influências equinas, com chegadas via Martim Afonso de Souza em São Vicente, Pedro de Mendoza em Buenos Aires e Cabeza de Vaca rumo ao Paraguai. Esses cavalos de herança espanhola e platina misturaram-se ao sangue nordestino em Sorocaba, formando a base genética dos equinos mineiros, que dariam origem ao tipo Junqueira, matriz do Mangalarga Marchador.

A chegada de D. João VI ao Brasil em 1808 inaugurou uma nova fase, com a abertura dos portos permitindo a importação de raças como Alter Real, Cavalos do Cabo, árabes e ingleses. Em 1819, foi criada a Coudelaria Real de Cachoeira do Campo, em Minas Gerais, tornando o estado um polo de aprimoramento. A partir de 1812, a família Junqueira levou seus cavalos para a região da Mogiana, no interior paulista, onde se adaptaram, ganhando resistência e um novo andamento, exemplificado pelo garanhão Colorado, símbolo do Mangalarga Paulista.

Embora Mangalarga Paulista e Mangalarga Marchador compartilhem origens, o Marchador está ligado às fazendas mineiras dos Junqueira, especialmente a Fazenda Campo Alegre, no Sul de Minas. Os cavalos Alter Real, descendentes de raças andaluzas e berberes, conferiram porte elegante, temperamento dócil e aptidão para montaria. A Comarca do Rio das Mortes, com suas condições ideais de água e vegetação, fortaleceu os criatórios, e figuras como José Frausino Junqueira valorizaram a marcha por sua agilidade em caçadas.

O nome Mangalarga surgiu da Fazenda Mangalarga, em Paty do Alferes, no Rio de Janeiro, onde animais dos Junqueira impressionaram e popularizaram a referência, com “Marchador” adicionado para destacar o andamento característico em vez do trote. Em 1949, a ABCCMM abriu o primeiro Livro de Registro, consolidando a raça, que hoje conta com mais de 600 mil exemplares, tornando-se a maior de equinos de sela no Brasil e admirada mundialmente.

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