No sétimo dia da COP30, realizada em Belém, no Pará, o ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider, elogiou o Brasil e a cidade anfitriã em uma tentativa de mitigar as críticas feitas pelo chanceler alemão, Friedrich Merz. Schneider descreveu o Brasil como “um país maravilhoso” e lamentou não poder permanecer mais tempo em Belém, sinalizando uma possível retratação oficial da Alemanha. O comentário de Merz, que desdenhou da capital paraense, gerou descontentamento não apenas entre autoridades locais e do estado do Pará, mas também entre diplomatas europeus.
Enquanto isso, a secretária de Cultura e Turismo de Belém, Cilene Sabino, interagiu de forma positiva com o embaixador do Azerbaijão, Rashad Novruz, durante o encerramento das atividades do final de semana. Em meio a uma plateia diversa, Sabino perguntou se o embaixador estava gostando do carimbó, dança típica da região, e a resposta entusiasmada de Novruz, com pulos animados, indicou uma aprovação clara. Essa troca cultural destacou a mistura de tradições entre o Brasil e o Azerbaijão na conferência climática.
Uma boa notícia para o setor agropecuário brasileiro veio do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, que anunciou na COP30 a programação de uma auditoria para exportação de pescados à União Europeia. Além da aprovação prévia para carne de frango e ovos, a auditoria está agendada para a segunda semana de junho de 2026, com expectativas de preparação adequada das informações necessárias. Essa medida representa um avanço nas relações comerciais entre o Brasil e a Europa.
Ana Pires, indígena do povo Gabili Marworno, localizado em Macapá, no Amapá, enfatizou a conexão entre comunidades indígenas e o agronegócio durante o evento. Em uma aldeia de 4 mil pessoas cercada por cinco fazendas, Pires destacou parcerias como a doação de soja, empréstimo de terras para plantio e criação de abelhas, especialmente no pós-colheita. “Nós temos parceria com o agro, eles doam soja pra gente, emprestam terreno pra gente plantar, emprestam terreno pra gente criar abelha, eles me dão a chave da porteira”, afirmou ela, ilustrando uma convivência harmoniosa.
O tema dos seguros ganhou destaque com a divulgação de um estudo da Mapfre na COP30, revelando que as perdas por desastres naturais em 2024 somaram US$ 368 bilhões, com apenas 48% cobertos por seguros, resultando em uma lacuna global de US$ 191 bilhões. O aquecimento global atingiu 1,6°C acima dos níveis pré-industriais no ano passado, afetando mais os países pobres, onde a cobertura é baixa: 19% na América Latina e 17% na Ásia. O estudo recomenda parcerias público-privadas, uso de seguros paramétricos, melhor mensuração de riscos e emissão de bônus verdes para mitigar vulnerabilidades.
O Papa Leão XIV fez sua primeira manifestação sobre a COP30, pedindo maior urgência aos líderes mundiais na busca por soluções climáticas. Ele afirmou que a mudança climática não é uma ameaça distante e que o progresso recente tem sido insuficiente. “O Criador está chorando na forma de inundações, secas, tempestades e aquecimento”, declarou o pontífice, conclamando ações imediatas para combater os impactos ambientais.