Ao observar as gôndolas de feiras e supermercados, muitos brasileiros notam que a banana-nanica, com sua casca amarela e formato alongado, está longe de ser pequena. Esse nome popular, no entanto, transforma-se em uma ironia aparente, já que o termo não descreve o fruto em si, mas sim a estatura da bananeira que o produz.
De acordo com Edson Perito Amorim, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Mandioca e Fruticultura) e coordenador do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano, o adjetivo “nanica” refere-se ao porte baixo da planta. Enquanto variedades como a banana-da-terra e a banana-prata podem atingir de cinco a sete metros de altura, a bananeira da nanica não ultrapassa os três metros, facilitando o manejo, a colheita e reduzindo riscos de tombamento em ventanias.
Essa característica torna a nanica uma escolha preferida pelos produtores brasileiros, pois otimiza a produção em diversas regiões. A variedade pertence ao subgrupo Cavendish, originário do sul da China, e se espalhou globalmente a partir da metade do século XIX, quando mudas foram levadas para a Inglaterra e cultivadas em estufas.
Ramon Felipe Scherer, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), explica que, de lá, as plantas foram distribuídas para regiões tropicais, incluindo a América. No Brasil, ganhou o apelido “nanica”, mas em outros países é conhecida como “Cavendish banana”, com variações como “Giant Cavendish” em inglês ou “Grand nain” em francês, destacando o contraste entre a planta anã e os frutos alongados.
Apesar do porte compacto da bananeira, o tamanho dos frutos é determinado pela genética do subgrupo Cavendish, que favorece bananas maiores. Conhecida também como caturra ou banana-d’água em algumas regiões, a nanica difere de outras variedades, como a branca (do subgrupo Prata), que representa 55% da área plantada no país e lidera o consumo.
No ranking nacional, a nanica ocupa o segundo lugar, com 25% da produção, predominando em estados como Santa Catarina, Paraná e São Paulo. O restante é dividido entre banana-da-terra, banana-figo, banana-maçã e banana-ouro.
Globalmente, a nanica é a principal banana de exportação, com destinos como Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Japão, onde é simplesmente referida como “Cavendish banana”, sem os nomes populares brasileiros. Essa uniformidade reflete sua importância no comércio internacional, independentemente das peculiaridades linguísticas locais.