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sexta-feira , 6 março 2026
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Governo no G20: defesa da soberania e críticas ao protecionismo global

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Em Joanesburgo, na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da Cúpula de Líderes do G20, onde defendeu um novo modelo de desenvolvimento global focado em crescimento inclusivo, combate às desigualdades e protagonismo dos países do Sul Global na economia verde. Lula enfatizou a necessidade de uma transição energética justa, resiliência climática, soberania sobre minerais críticos e uma governança inclusiva da inteligência artificial. Em seus discursos, ele destacou a responsabilidade histórica das maiores economias do planeta em relação ao clima e à tecnologia, criticando o protecionismo em ascensão e pedindo reformas profundas nas estruturas internacionais de poder.

Na sessão dedicada ao clima, redução de riscos de desastres e sistemas alimentares, Lula afirmou que o G20, responsável por 77% das emissões globais, deve liderar um plano concreto para romper com os combustíveis fósseis. Ele mencionou a COP30, realizada no Brasil, como um marco que evidenciou a urgência dessa discussão, mesmo sem consenso pleno para um cronograma de eliminação progressiva do petróleo e carvão. O presidente ressaltou que a crise climática exige adaptação estrutural, modernização de infraestrutura e sistemas de alerta, além de políticas sociais para proteger populações vulneráveis. Lula citou os Princípios Voluntários para Investir em Redução de Risco de Desastres, argumentando que cada dólar investido em adaptação evita até quatro dólares em prejuízos, tornando-a um investimento estratégico.

Lula também abordou o combate à fome e a proteção a pequenos produtores, reforçando que enfrentar os efeitos da crise climática requer lidar com suas causas sociais. Ele apresentou a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, lançada na COP30, que prioriza o fortalecimento da proteção social, apoio a pequenos agricultores e alternativas sustentáveis para povos das florestas. Segundo o presidente, é inaceitável que as maiores vítimas das mudanças climáticas sejam as populações que menos contribuíram para elas.

Na discussão sobre minerais críticos, como lítio, níquel, cobalto e terras raras, essenciais para tecnologias de energia limpa, Lula defendeu que países como o Brasil, com cerca de 10% das reservas mundiais, não devem ser meros exportadores de matéria-prima. Ele enfatizou que a soberania é medida pela capacidade de transformar recursos em oportunidades para a população, e mencionou a criação do Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no Brasil para planejar políticas de exploração e inserção nas cadeias globais de valor.

Sobre a inteligência artificial, Lula defendeu uma governança global representativa para evitar que o controle de dados e algoritmos por poucos países aprofunde desigualdades e crie um “colonialismo digital”. Ele destacou disparidades como o fato de 2,6 bilhões de pessoas ainda não terem acesso à internet, com 93% da população conectada em países ricos contra 27% nos pobres, e 40% dos trabalhadores expostos à automação. O presidente argumentou que o avanço tecnológico deve incluir trabalho decente, inclusão digital e respeito aos direitos humanos.

Na sessão sobre crescimento inclusivo, Lula propôs a taxação de super-ricos, troca de dívidas de países pobres por investimentos climáticos e sociais, e a criação de um Painel Independente sobre Desigualdade, nos moldes do IPCC. Ele tratou a desigualdade como uma emergência global e criticou o protecionismo e ações unilaterais, defendendo o multilateralismo.

Lula realizou encontros bilaterais, como com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, discutindo ampliação de relações comerciais e convidando-o para uma visita de Estado ao Brasil em 2026. Ele também participou do Fórum IBAS, reforçando a cooperação entre Índia, Brasil e África do Sul. Após a cúpula, Lula seguiu para Maputo, em Moçambique, para uma visita de trabalho comemorando 50 anos de relações diplomáticas.

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