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sexta-feira , 6 março 2026
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Raio devasta fazenda no Pará e evidencia necessidade de políticas para mitigar riscos climáticos no campo

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Uma tragédia climática abalou uma fazenda no distrito de Caracol, em Trairão, no sudoeste do Pará, destacando as vulnerabilidades das propriedades rurais a eventos meteorológicos extremos. Na madrugada de 20 de novembro, um raio atingiu um poste de energia próximo à área, propagando descargas elétricas pelo solo que resultaram na morte instantânea de metade do rebanho bovino. O incidente, reportado pelo portal A Voz do Xingu, reforça o debate sobre a exposição do agronegócio brasileiro a tempestades severas, especialmente em regiões como o Norte do país, onde tais fenômenos são frequentes.

De acordo com relatos, o caseiro da propriedade descobriu a cena ao amanhecer, encontrando diversos animais mortos espalhados pelo pasto. A corrente elétrica se espalhou rapidamente pelo solo úmido, um fenômeno comum em casos de raios que atingem superfícies amplas. Especialistas explicam que o gradiente de potencial – a diferença de energia entre pontos no chão – é responsável pela letalidade, já que os bovinos, com sua anatomia de membros afastados e grande área de contato com o solo, permitem que a eletricidade percorra o corpo com intensidade fatal.

A vulnerabilidade dos rebanhos a descargas atmosféricas não é incomum no Brasil, com maiores incidências nas regiões Norte e Centro-Oeste durante a estação chuvosa. Fatores como a permanência de animais em áreas abertas, proximidade de cercas metálicas, postes e árvores isoladas aumentam os riscos, transformando elementos cotidianos em condutores preferenciais para raios. Essa suscetibilidade é agravada pela anatomia dos bovinos, que sofrem impactos mais severos em comparação a humanos ou animais menores.

Para mitigar tais tragédias, especialistas recomendam medidas preventivas, como a instalação de para-raios rurais e sistemas de aterramento adequados em estruturas principais. Além disso, é aconselhável afastar o rebanho de pontos de risco durante tempestades, como postes, árvores isoladas e cercas eletrificadas, e considerar o recolhimento para piquetes protegidos. A construção de abrigos coletivos com proteção contra descargas também pode oferecer alternativas seguras.

Outras orientações incluem o uso de ferramentas de monitoramento meteorológico, como aplicativos que emitem alertas em tempo real sobre tempestades e descargas elétricas, permitindo ajustes no manejo. A manutenção contínua das redes elétricas internas, evitando fios expostos e equipamentos deteriorados, é essencial para reduzir a propagação de correntes pelo solo.

O impacto do incidente vai além do prejuízo financeiro expressivo, afetando o fluxo de caixa, o planejamento de vendas e a reposição de animais em propriedades de médio porte. Há também um abalo emocional para os envolvidos, comprometendo cronogramas de engorda e reprodução.

Esse episódio em Trairão serve como alerta para a urgência de políticas públicas que incentivem a proteção contra fenômenos naturais, especialmente no agronegócio. Com eventos climáticos extremos em ascensão, investir em segurança elétrica e manejo de riscos não é apenas uma medida protetiva, mas uma estratégia para preservar o patrimônio e a produtividade rural no Brasil.

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