A discussão sobre o acúmulo de nitrato em alfaces cultivadas em sistemas hidropônicos ganhou destaque com novos dados divulgados pelo engenheiro agrônomo Ítalo Guedes, pesquisador da Embrapa. Esses dados, oriundos de um estudo detalhado, exploram como diferentes proporções de NO3 e NH4 influenciam o crescimento e a qualidade das folhas. O foco está em cultivares como a crespa e a romana, com implicações para produções em ambientes controlados.
O estudo foi realizado em um container-farm utilizando o sistema DFT, com controle ambiental completo, incluindo uma DLI média de 14,5 mol m² dia. Essa configuração permitiu uma avaliação precisa da resposta das plantas às variadas formas de nitrogênio na solução nutritiva. De acordo com Guedes, o aumento da proporção de nitrato resultou em um elevação consistente do teor de NO3 na seiva e nas folhas das alfaces.
Apesar desse aumento, os níveis de nitrato observados permaneceram abaixo dos limites estabelecidos pela legislação europeia. Esse aspecto é particularmente relevante para produções em estufas automatizadas e fazendas verticais, onde o manejo preciso pode mitigar preocupações históricas sobre o acúmulo de substâncias potencialmente prejudiciais em vegetais folhosos.
Por outro lado, concentrações superiores a 15% de N-NH4 na solução nutritiva levaram a uma queda na produtividade das plantas. Os efeitos incluíram menor massa fresca das folhas e sintomas fisiológicos como tipburn e queima de bordas, frequentemente ligados a distúrbios no transporte de cálcio dentro das plantas.
Os resultados indicam que a faixa ideal para o desempenho das cultivares crespa e romana situa-se entre 65 e 85% de nitrato. Nesse intervalo, ambas as variedades alcançaram maior massa fresca e exibiram um comportamento semelhante, sugerindo uma resposta genética comum no aproveitamento do nitrogênio.
A divulgação desses dados reforça que, apesar das preocupações tradicionais com o nitrato em folhosas hidropônicas, estudos modernos apontam para a ausência de riscos significativos quando há manejo adequado. Isso pode influenciar práticas agrícolas em ambientes controlados, promovendo maior eficiência e sustentabilidade.
Ítalo Guedes enfatiza a importância de ajustes precisos nas soluções nutritivas para otimizar a produção, destacando o potencial de tecnologias como o DFT em cenários de agricultura vertical. Esses avanços contribuem para debates sobre segurança alimentar e regulamentações em contextos globais.