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sexta-feira , 6 março 2026
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Brasil projeta recorde histórico na safra de soja para 2025/26 apesar de desafios climáticos

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Com a ampliação de cerca de 1 milhão de hectares na área plantada e a influência de um La Niña de baixa intensidade e curta duração, o Brasil deve registrar um novo recorde na produção de soja na safra 2025/26. De acordo com projeções da consultoria Itaú BBA, a colheita pode alcançar 178 milhões de toneladas, superando as 170,1 milhões de toneladas da safra anterior. O analista Francisco Queiroz, da Consultoria Agro do Itaú BBA, destacou que o cenário climático tende a favorecer a safra de verão, embora haja preocupações com a redução das chuvas no extremo sul do país em dezembro.

A perspectiva também é positiva para a Argentina, onde bons índices de chuvas foram registrados. Queiroz observou que o consumo global de soja deve continuar crescendo, impulsionado pela demanda de óleo para biocombustíveis e de grãos para o setor de alimentos. No entanto, os estoques mundiais devem se manter em níveis confortáveis, o que pode influenciar a estabilidade dos mercados.

Os preços da soja registraram alta significativa durante as discussões entre Estados Unidos e China sobre o acordo comercial. A China se comprometeu a comprar 12 milhões de toneladas de soja americana por ano, das quais 4 milhões já foram adquiridas. Segundo Queiroz, se o ritmo de compras não for mantido, os preços podem recuar na bolsa de Chicago. Ele avaliou que, sem quebras de safra na América do Sul, a tendência é de preços e margens pressionados na safra 2025/26.

Embora o La Niña tenha impacto menor neste ano, o fenômeno causou irregularidades nas chuvas no início da safra de verão, levando a atrasos no plantio de soja. Isso deve afetar o plantio da safrinha de milho, especialmente em Goiás, Minas Gerais e parte de Mato Grosso. Queiroz mencionou que o Tocantins teve atrasos iniciais, mas as chuvas se regularizaram, com maiores preocupações concentradas em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

Para o milho, o Itaú BBA projeta uma produção de 139 milhões de toneladas no Brasil e 60 milhões na Argentina, números superiores às estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), de 131 milhões e 53 milhões, respectivamente. A recente queda nos preços dos fertilizantes pode melhorar a relação de troca e incentivar a ampliação da área plantada na safrinha. Queiroz estima que a demanda permanecerá aquecida, com cerca de 25 milhões de toneladas de milho destinadas à produção de etanol no próximo ano, além da procura para ração animal.

Em relação ao algodão, a safra 2025/26 deve apresentar redução na produção devido à desvalorização dos preços da commodity e ao aumento nos custos de produção, que estreitaram as margens dos produtores. Na safra anterior, o Brasil alcançou o recorde de 4,1 milhões de toneladas de pluma. A demanda interna deve se manter estável, limitada pelos juros elevados, enquanto o consumo global segue estagnado em 25,9 milhões de toneladas, com estoques em crescimento.

Queiroz apontou que a China, maior importador mundial de algodão, continua relativamente fora do mercado, pressionando os preços da pluma. Essa dinâmica reflete as complexidades das relações comerciais internacionais, que impactam diretamente as projeções agrícolas na América do Sul.

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