Os preços do boi gordo mantiveram-se estáveis na maior parte do Brasil nesta quinta-feira, 27 de novembro, refletindo uma oferta limitada de boiadas e um ritmo lento de negociações. De acordo com dados da Scot Consultoria, que monitora 33 regiões, 28 delas não registraram variações nas cotações, o que indica um equilíbrio precário entre oferta e demanda no setor.
Altas foram observadas em áreas específicas, como o oeste do Rio Grande do Sul, Pelotas (RS) e Santa Catarina, enquanto quedas ocorreram em Marabá (PA) e no norte de Tocantins. Essas variações pontuais destacam as diferenças regionais no mercado, influenciadas por fatores locais de produção e logística.
Em regiões de referência como Araçatuba (SP) e Barretos (SP), as cotações permaneceram inalteradas em todas as categorias. Nas praças paulistas, o preço do boi gordo continua em R$ 320 por arroba para pagamentos a prazo, sustentado pela restrição na oferta por parte dos produtores.
A consultoria Agrifatto aponta que, apesar da expectativa de um maior volume de carne no atacado, os frigoríficos estão tentando negociar valores mais baixos. No entanto, com os produtores controlando a oferta, as vendas permanecem em volumes reduzidos, o que impede uma queda generalizada nos preços.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) enfatiza que a demanda internacional segue robusta, com a China mantendo importações regulares em preparação para o seu Ano-Novo, enquanto os Estados Unidos planejam aumentar suas compras. Essa dinâmica externa contribui para a estabilidade observada no mercado interno.
No âmbito doméstico, o início do pagamento do 13º salário aos trabalhadores brasileiros deve impulsionar a procura por carne, aquecendo o consumo. Os frigoríficos, por sua vez, estão acelerando os negócios para preencher as escalas de abate até o Natal, com alguns planejando operações nos dois primeiros sábados de dezembro.
Essa conjuntura reflete um mercado em que a oferta curta e a demanda aquecida criam um cenário de negociações cautelosas, com produtores e frigoríficos em posições opostas. A manutenção dos preços atuais sugere que, sem mudanças significativas na oferta, o equilíbrio pode persistir nas próximas semanas.