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Ferrugem asiática persiste como ameaça à soja no Sul do Brasil

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A ferrugem asiática continua sendo uma das principais ameaças à produção de soja no Sul do Brasil, demandando um manejo rigoroso para evitar perdas significativas. De acordo com Emerson Del Ponte, professor da Universidade Federal de Viçosa, o inóculo da doença está sempre presente no ambiente, o que justifica os relatos iniciais já no começo da safra. Essa presença constante torna o monitoramento essencial para os produtores da região.

A severidade da ferrugem asiática varia conforme as condições meteorológicas de cada ciclo produtivo. Fatores como alta umidade e temperaturas favoráveis criam um ambiente propício para a proliferação da doença. Esses elementos climáticos determinam o potencial de impacto na safra, exigindo que os agricultores estejam atentos a variações regionais para adotar medidas preventivas adequadas.

A partir desta semana, mapas de risco climático serão divulgados e atualizados a cada três dias, com o objetivo de apoiar o monitoramento e auxiliar nas decisões dos produtores. Esses mapas oferecem uma análise regionalizada do risco de infecção, sendo particularmente úteis em anos com irregularidades climáticas mais pronunciadas. Eles integram dados do Consórcio Antiferrugem para uma visão mais completa.

Os mapas são produzidos pelo Laboratório de Epidemiologia da UFV, em parceria com a Rede Fitossanidade Tropical. A partir da safra 2025/26, o trabalho será ampliado para gerar mapas específicos para as áreas do Centro Sul, abrangendo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, regiões onde a ferrugem ocorre com maior frequência.

A metodologia dos mapas baseia-se em um modelo climático que considera a interação entre umidade relativa e temperatura para calcular a favorabilidade diária à infecção. Desenvolvido por Reis e colaboradores em 2004, o modelo utiliza dados meteorológicos da plataforma NASA POWER, acumulados em janelas de sete dias. As classes de risco ajudam a identificar áreas mais vulneráveis, permitindo uma intensificação do monitoramento.

Esses recursos visam orientar os produtores a priorizar ações em locais de maior suscetibilidade, reduzindo o risco de surtos. A recomendação é que os agricultores consultem também o site do Consórcio Antiferrugem para verificar a presença de esporos ou focos ativos na região, combinando assim informações climáticas com dados de campo.

Com essa iniciativa, espera-se uma melhoria no manejo da ferrugem asiática, contribuindo para a sustentabilidade da produção de soja no Brasil. A integração de tecnologia e dados científicos reforça a capacidade de resposta dos produtores frente a desafios ambientais persistentes.

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