O balanço global de oferta e demanda de soja indica uma perspectiva mais positiva para os preços internacionais na safra 2025/26, com o superávit projetado como o menor dos últimos cinco anos. Segundo André Pessôa, presidente da Agroconsult, a produção deve se equiparar ao consumo, sugerindo que a queda nos preços pode estar próxima de seu ponto mais baixo. Essa análise foi apresentada em evento da Anec, destacando um superávit de apenas 2,7 milhões de toneladas, contra 13,3 milhões na safra anterior.
Comparações com dados do USDA mostram que o último superávit similar, de cerca de 2 milhões de toneladas, ocorreu em 2020/21. Pessôa observa que os preços na Bolsa de Chicago já reagem a essa menor sobra, influenciados também pelo acordo comercial entre China e Estados Unidos. Além disso, fatores financeiros, como a desvalorização do dólar em relação a outras moedas, impactam as cotações, com Pessôa destacando que parte do preço atual da soja reflete variações cambiais, e não apenas oferta e demanda.
Os planos de reindustrialização do governo de Donald Trump são citados como elemento que não prioriza a valorização do dólar, contribuindo para o cenário atual. Apesar da melhora esperada nos preços internacionais, Pessôa avalia que os sojicultores brasileiros estão atrasados na comercialização, com cerca de 35% da produção estimada vendida, em linha com a média dos últimos anos, mas inadequada frente à alta taxa de juros.
A Agroconsult prevê uma safra brasileira de 178,1 milhões de toneladas de soja, um aumento de 3,5%, impulsionado por 2% de expansão na área plantada, para 48 milhões de hectares. Esse crescimento ocorre apesar de desafios como alta alavancagem, margens baixas e custo elevado de capital, que tornam o crédito mais seletivo. Pessôa explica que a expansão em regiões de fronteira considera não só a operação agrícola, mas também a valorização imobiliária da terra.
Preocupações climáticas marcam a safra, especialmente no Rio Grande do Sul, devido ao La Niña, com expectativas de temperaturas elevadas. Para o milho safrinha, a estimativa é de 115,9 milhões de toneladas, uma queda de 6,5%, com área plantada crescendo 3,8% para 18,7 milhões de hectares. O consumo interno de milho deve ultrapassar 100 milhões de toneladas, impulsionado pela indústria de etanol, e a produção total de milho no Brasil é projetada em 141,6 milhões de toneladas, recuo de 6,2% ante a safra anterior.
O plantio de soja atingiu 85% da área estimada, com atrasos devido à falta de chuvas, afetando a safrinha de milho em regiões como Goiás, onde metade da área está sob risco climático. Pessôa ressalta que o milho pode ser o “salvador” este ano, com comercialização acima da média, indicando disposição para investimentos apesar dos desafios.