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sexta-feira , 6 março 2026
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Agricultor paraense se destaca na COP 30 como maior produtor de maniva-semente do Brasil

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No Estado do Pará, maior produtor de mandioca no Brasil, o agricultor Benedito Dutra encontrou seu nicho no mercado ao se especializar na multiplicação de maniva-semente, um pedaço da haste da planta usado para preservar e propagar a genética da cultura. Engenheiro agrônomo com mais de 30 anos de experiência em agricultura familiar, Dutra cultiva mandioca e feijão-caupi, mas a maniva ganhou protagonismo em suas lavouras. Ele compartilhou suas experiências durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP 30), realizada este mês em Belém, destacando o potencial da produção regional em meio a discussões globais sobre sustentabilidade e clima.

Dutra, que se autodenomina “maniveiro”, é parceiro da Embrapa no desenvolvimento e teste de variedades de maniva. Ele vende o material para agricultores familiares e grandes fazendas, incluindo produtores de outros Estados, consolidando-se como líder no segmento. Segundo ele, cerca de 80% de sua atividade empresarial foca nessa multiplicação, tornando-o o maior produtor de maniva-semente no país. A Embrapa confirma sua posição de destaque, com sua produção espalhada por 90 hectares entre Bragança e Tracuateua, no nordeste paraense, dos quais 23 são irrigados para lidar com o clima seco da região.

Para esta safra, colhida em 2026, Dutra projeta produzir entre 7 milhões e 8 milhões de maniva-semente, o que pode gerar até R$ 8 milhões em rendimento, um aumento de até 60% em relação aos 5 milhões da safra anterior. Ele vê potencial de expansão na produção de mandioca na região Norte, impulsionada pelo hábito cultural de consumo de farinha, independentemente do poder econômico da população. No entanto, o setor enfrenta desafios, como a baixa rentabilidade em outras regiões devido ao crescimento da oferta superior à demanda.

Uma ameaça fitossanitária preocupa os produtores amazônicos: a vassoura-de-bruxa da mandioca, causada pelo fungo Ceratobasidium theobromae. Registrada pela primeira vez no Brasil em agosto de 2024, em plantações indígenas de Oiapoque (AP), na fronteira com a Guiana Francesa, a doença causa deformações nos ramos, nanismo e morte das plantas. A Embrapa recomenda detecção precoce, uso de manivas sadias e boas práticas agrícolas para mitigar os impactos.

Dutra, participante do projeto Reniva da Embrapa, enfatiza a necessidade de cultivares resistentes à doença, que impede a formação de raízes. O Reniva, gerido por Herminio Rocha, é uma rede nacional com 27 produtores que garante sanidade e identidade genética das manivas, promovendo multiplicação sustentável. Rocha explica que só materiais com cerca de 20 centímetros e seis a sete gemas são considerados maniva-semente, e a rede busca expandir parcerias para assegurar acesso a insumos de qualidade.

De acordo com Fábio Isaías Felipe, pesquisador do Cepea, o Pará responde por 20,7% da produção nacional de mandioca, projetada em 20,8 milhões de toneladas para este ano, um crescimento de 9,4% em relação a 2024. Enquanto o Norte mantém um viés artesanal e familiar, o centro-sul concentra a indústria. Felipe nota que produtores diversificam para mandioca devido à baixa rentabilidade da soja, mas alerta para preços baixos em regiões industriais devido ao excesso de oferta.

A participação de Dutra na COP 30 reforça o elo entre agricultura e políticas climáticas, especialmente em um Estado chave para a Amazônia, onde ameaças como pragas podem afetar a segurança alimentar e a economia local.

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