O governo federal anunciou uma medida que deve injetar R$ 28 bilhões na economia brasileira por meio da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. A novidade foi apresentada pelo presidente Lula em um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na noite de domingo (30). Com a mudança, trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais ficarão isentos do imposto, o que representa um alívio significativo no orçamento de muitas famílias.
De acordo com cálculos oficiais, um trabalhador com salário de R$ 4.800, por exemplo, deixará de pagar o imposto, resultando em uma economia anual de aproximadamente R$ 4 mil. Essa alteração afeta apenas as faixas de isenção e os descontos simplificados, sem promover uma correção integral na tabela do Imposto de Renda. Assim, contribuintes com renda superior a R$ 7.350 permanecem sujeitos à alíquota máxima de 27,5%.
O governo justificou a limitação da medida ao destacar que uma revisão completa da tabela geraria um custo superior a R$ 100 bilhões por ano aos cofres públicos. Essa decisão reflete um equilíbrio entre o estímulo à economia e a manutenção da arrecadação fiscal, priorizando o impacto imediato para classes de renda mais baixas sem comprometer excessivamente as finanças estatais.
Para compensar a perda de receita estimada com a isenção, a nova lei introduz uma alíquota adicional de até 10% para contribuintes que recebem mais de R$ 600 mil por ano, o equivalente a cerca de R$ 50 mil mensais. Essa mudança deve afetar aproximadamente 140 mil pessoas classificadas como de alta renda. Atualmente, dados oficiais indicam que esse grupo paga uma alíquota efetiva média de apenas 2,5%, graças ao uso de rendimentos isentos, como lucros e dividendos, enquanto trabalhadores assalariados recolhem entre 9% e 11% em média.
A cobrança extra não incide sobre quem já paga alíquotas superiores a 10% e exclui certos tipos de rendimentos, como ganhos de capital, heranças, doações, rendimentos recebidos acumuladamente, aplicações isentas como poupança, aposentadorias por moléstia grave e indenizações. Além disso, a lei estabelece limites para evitar que a soma dos tributos pagos por empresas e seus sócios ultrapasse percentuais definidos para setores financeiros e não financeiros, garantindo restituição na declaração anual caso haja excesso.
As alterações no Imposto de Renda entram em vigor a partir de janeiro, marcando um passo importante na política fiscal do governo. Essa iniciativa busca promover maior equidade tributária, redistribuindo a carga fiscal de forma a beneficiar a base da pirâmide social enquanto aumenta a contribuição dos mais abastados.