O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Clima O segredo do sabor irresistível das frutas: como o clima dita a doçura
Clima

O segredo do sabor irresistível das frutas: como o clima dita a doçura

46

Frutas com o equilíbrio ideal entre crocância, suculência e doçura são capazes de conquistar qualquer paladar. No entanto, o que torna algumas delas tão apetitosas enquanto outras parecem aguadas ou sem graça? Especialistas em produção agrícola explicam que o sabor resulta de uma combinação de açúcares, ácidos e compostos aromáticos, influenciados diretamente pelas condições climáticas durante o desenvolvimento e a maturação dos frutos.

De acordo com Lucas Mora, analista de mercado de melancia do Cepea, pequenas variações em temperatura, luz solar ou umidade afetam a fotossíntese e o metabolismo das plantas, alterando o equilíbrio entre doçura e acidez. Pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) destacam que climas ensolarados impulsionam a fotossíntese, aumentando a produção de açúcares como glicose e frutose, que são direcionados para os frutos.

O clima seco durante o enchimento das frutas contribui para reduzir o excesso de umidade, concentrando esses açúcares e resultando em polpas mais doces e firmes. A combinação de dias quentes e noites amenas, especialmente após períodos chuvosos, cria um leve déficit hídrico que estimula as plantas a acumular açúcares como forma de proteção, intensificando o sabor de modo equilibrado.

Há, porém, uma linha fina entre condições favoráveis e prejudiciais. Ondas de calor podem acelerar a maturação, diminuindo o tempo para acúmulo de açúcares e comprometendo o resultado final, conforme alertam pesquisadores do Cepea. O agrônomo e produtor Leonardo Herzog, da Soet Melancias, enfatiza a importância de um manejo que promova um déficit hídrico controlado, com redução de irrigação no final do ciclo, para concentrar os açúcares e realçar o sabor.

Excesso de chuva ou irrigação constante dilui os açúcares na polpa, levando a frutas mais aguadas e menos doces. Herzog ressalta que um manejo preciso, baseado em previsões climáticas para a safra, é determinante para a qualidade que chega ao consumidor, com ênfase no controle hídrico e na insolação.

O mercado interno tem exigido mais em termos de sabor e textura, impulsionando avanços genéticos e de manejo. Variedades mais adocicadas, com menos sementes e menor teor de fibra, ganham preferência entre os brasileiros, obrigando produtores a priorizar não só a produtividade, mas a qualidade sensorial, segundo Herzog.

Foi com esse foco que Herzog fundou, há quatro anos, a Soet, em parceria com dois sócios, para cultivar melancias em Goiás e comercializar produções de terceiros em todo o Brasil. A empresa concentra-se em frutas de 6 a 10 quilos, com poucas sementes e maior durabilidade na prateleira, atendendo à demanda por qualidade superior.

Relacionadas

Produtores de arroz do RS pedem ao Mapa restrições a importações para enfrentar crise

Produtores de arroz do Rio Grande do Sul solicitam ao Mapa medidas...

Conab divulga boletim com chuvas favoráveis no Brasil, mas irregularidades no Sul afetam soja no RS

Descubra o boletim da Conab de fevereiro de 2026: chuvas favoráveis impulsionam...

StoneX eleva estimativa de produção de milho no Brasil para 136 milhões de toneladas

StoneX revisa para cima a produção de milho no Brasil para 136...

Feijão carioca atinge preço recorde de R$ 541,67 por saco em São Paulo

O feijão carioca atingiu recorde de R$ 541,67 por saco em SP...