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sexta-feira , 6 março 2026
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Falta de chuvas ameaça o desenvolvimento de pastagens no Rio Grande do Sul

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De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (4), o campo nativo no Rio Grande do Sul encontra-se em fase de desenvolvimento vegetativo, com uma melhora na oferta de forragem. No entanto, a entidade destaca a necessidade urgente de chuvas para sustentar o ritmo de crescimento. Em diversos municípios, a redução da umidade no solo e as previsões de baixos volumes pluviométricos têm gerado preocupação entre os produtores rurais, que ajustam o manejo para evitar sobrepastejo enquanto aguardam precipitações mais consistentes.

As forrageiras perenes apresentam bom estabelecimento inicial, beneficiadas pela luminosidade e pelas temperaturas, mas a limitação de umidade tem reduzido o vigor do rebrote e o avanço vegetativo em áreas mais secas. Já as pastagens anuais são as mais afetadas pela falta de água, com espécies como capim-sudão e milheto, implantados em setembro, não alcançando o desenvolvimento esperado em várias regiões. Chuvas pontuais ocorreram, mas não foram suficientes para normalizar o desempenho das forrageiras, e os produtores esperam precipitações regulares para avançar na implantação de novas áreas e recompor a oferta de alimento aos rebanhos.

Na região administrativa de Bagé, a colheita de sementes de azevém continua em andamento nos municípios da Campanha e da Fronteira Oeste. Em São Gabriel, os produtores oferecem sementes de azevém a R$ 4,00/kg e de aveia a R$ 1,50/kg. Em Alegrete, a ausência de chuvas tem prejudicado a implantação de pastagens anuais de verão e o crescimento das áreas já estabelecidas. Por outro lado, em Manoel Viana, volumes recentes de chuvas, embora modestos, beneficiaram as pastagens, permitindo o manejo de plantas daninhas com herbicidas e a aplicação de adubação nitrogenada. A Emater/RS-Ascar relata que a taxa de crescimento dos campos nativos diminuiu nos últimos dias devido à queda nas precipitações na segunda quinzena de novembro, mas o quadro geral ainda é de boa oferta de forragem para os rebanhos.

Na região de Erechim, a disponibilidade e a qualidade da forragem evoluíram satisfatoriamente, impulsionadas pela luminosidade, temperatura e manejo adequado. Houve ocorrências localizadas de granizo no início do período, mas os danos foram pontuais e não comprometeram a oferta. Pastagens perenes de verão, como BRS Kurumi, tiftons, Jiggs, Estrela Africana, braquiárias e hermátrias, oferecem massa verde, enquanto as anuais, incluindo milheto, sorgo e aveia de verão, apresentam desenvolvimento inicial adequado para pastejo. Em Ijuí, as áreas semeadas em novembro mostram estabelecimento irregular, sem necessidade de replantio, e a densidade nas demais lavouras atende às expectativas.

Na região de Passo Fundo, há oferta satisfatória de massa verde de espécies de verão, mas a produtividade futura depende do retorno das chuvas, já que a baixa umidade no solo impede a aplicação de nitrogênio em cobertura. Em Pelotas, pastagens perenes de Jiggs e tifton mantêm oferta de forragem, mas em Pinheiro Machado a falta de chuvas reduziu as taxas de crescimento e a qualidade das pastagens nativas, com manchas de forragem morta em solos rasos ou de maior altitude. As pastagens anuais cultivadas enfrentam desenvolvimento limitado, agravado pela dificuldade em realizar adubações nitrogenadas.

Na região de Porto Alegre, as pastagens de verão recentemente implantadas oferecem poucas áreas para pastejo, enquanto o campo nativo mantém oferta satisfatória. Em Santa Maria, propriedades com pastagens perenes de Cynodon registram boa oferta de forragem. Já em Santa Rosa, o estresse hídrico prejudicou as pastagens de forma geral, com senescência da vegetação em áreas próximas a afloramentos rochosos, embora campos nativos bem manejados sustentem o pastejo.

Por fim, na região de Soledade, a ausência de chuvas por duas semanas causou atraso no crescimento e na rebrota das pastagens de verão. Espécies perenes como tiftons, BRS Kurumi e panicuns não atingiram plena produção, limitando a oferta de forragem em muitas propriedades, enquanto as pastagens anuais semeadas precocemente já estão em pastejo.

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